Em 15 de maio de 1980, a Volkswagen apresentou ao Brasil o carro que se tornaria o mais vendido do país por quase três décadas seguidas. O Gol chegou com a missão de ocupar o espaço deixado pelo Fusca nas garagens e no coração dos brasileiros. Para isso, trouxe um visual novo e uma proposta diferente dos outros projetos da montadora alemã.
O modelo delinhas retas e ângulos quadrados ficou tão icônico que, anos depois, quando a Volkswagen lançou uma versão mais arredondada, o povo simplesmente chamou o original de “Gol Quadrado”.
Um motor conhecido em um carro novo
Para quem conhecia o Fusca, havia uma surpresa debaixo do capô do Gol: o motor era o mesmo, o famoso 1.3 refrigerado a ar. A diferença é que, no Fusca, ele ficava atrás. No Gol, foi para a frente.
O equipamento foi escolhido por pura familiaridade da empresa; a Volkswagen queria lançar o carro com agilidade e custo controlado, então aproveitou um motor que já conhecia bem.
No entanto, o motor entregava pouca potência para o tamanho do carro, e a própria montadora percebeu isso rápido. No ano seguinte ao lançamento, o 1.3 já foi substituído por uma versão maior e mais forte. O motor original ficou no Gol por apenas um ano.
Antes de chegar às ruas, porém, aquele motor passou por algo curioso: a Volkswagen o enviou para a Porsche, na Alemanha, para ser modernizado. Os engenheiros da marca esportiva fizeram melhorias importantes, mas boa parte delas foi cortada na hora de produzir em larga escala para manter o preço acessível.
Por dentro e por fora
O visual do Gol foi criado especialmente para o Brasil. O carro foi desenhado aqui, pensando nas condições e no gosto do motorista brasileiro. O interior era simples e funcional, o objetivo era entregar um carro resistente, fácil de manter e barato de consertar, algo que o Fusca já havia ensinado a ser essencial para o público nacional.
Um detalhe que poucos percebem nas fotos antigas: as lanternas traseiras do Gol de 1980 não tinham pisca-laranja. Por conta da legislação da época, os sinalizadores eram totalmente vermelhos. Só depois essa regra mudou.
Apesar de ter chegado com um motor considerado “fraco”, o Gol rapidamente conquistou o mercado. A fórmula de ser robusto, barato de manter e fácil de encontrar peças funcionou. O modelo ficou em produção por mais de 40 anos e saiu de linha apenas em dezembro de 2022, com uma edição especial de despedida numerada. Ao todo, mais de 8 milhões de unidades foram produzidas.





