Em filmes ligados ao universo corporativo e da moda, praticamente nada aparece em cena por acaso. Isso inclui roupas, acessórios, relógios e até automóveis. No caso de Miranda Priestly, personagem interpretada por Meryl Streep em O Diabo Veste Prada, o carro escolhido para representar a executiva ajuda a construir uma imagem de poder, com características que destacam autoridade silenciosa, sofisticação extrema e status elevado.
Na continuação do longa, o veículo utilizado pela personagem é um Mercedes-Maybach Classe S, modelo de ultra luxo da Mercedes-Benz que se consolidou nos últimos anos como um dos maiores símbolos automotivos do chamado “luxo executivo”. A escolha não acontece apenas por estética: ela reforça a construção de uma figura associada a influência, exclusividade e poder corporativo.
Maybach representa um nível acima do luxo tradicional
Embora muita gente associe a Maybach apenas a uma versão mais sofisticada dos carros da Mercedes-Benz, o posicionamento da divisão segue uma lógica diferente dentro da indústria automotiva. O objetivo da marca é competir diretamente com modelos extremamente exclusivos de fabricantes como Rolls-Royce e Bentley.
Na prática, isso significa um foco quase absoluto na experiência dos passageiros traseiros. O Mercedes-Maybach Classe S utiliza materiais nobres, pneus com isolamento acústico reforçado e tecnologias voltadas para conforto extremo.
Esse conceito conversa diretamente com a imagem de Miranda Priestly no universo do filme: uma executiva que praticamente transforma o deslocamento em extensão do próprio escritório de luxo.

Veículo ajuda a construir linguagem de poder no filme
No cinema, carros frequentemente funcionam como ferramentas narrativas indiretas. Eles ajudam a comunicar posição social, estilo de vida e até traços psicológicos dos personagens sem necessidade de explicações explícitas.
No caso de O Diabo Veste Prada, a construção visual da personagem sempre esteve associada a uma estética de controle, sofisticação e domínio do ambiente corporativo. O Maybach reforça exatamente essa lógica. Diferente de superesportivos chamativos, o sedã aposta em uma proposta mais discreta visualmente, mas extremamente sofisticada nos detalhes.
Isso acompanha uma mudança importante no conceito de luxo moderno. Em vez da ostentação exagerada vista em décadas anteriores, marcas premium passaram a trabalhar uma ideia de exclusividade mais silenciosa, focada em experiência, refinamento e tecnologia, ou seja, o carro da personagem não serve apenas como meio de transporte: ele funciona como extensão da identidade corporativa de Miranda Priestly.
Modelo virou referência entre carros executivos de ultra luxo
O Mercedes-Maybach Classe S também ganhou espaço relevante fora do cinema. O modelo passou a ser utilizado por empresários, executivos, celebridades e chefes de Estado justamente pela combinação entre conforto extremo e imagem institucional forte.
Um dos diferenciais do carro está na forma como ele entrega luxo sem recorrer necessariamente a um visual excessivamente esportivo. O foco está mais em:
- silêncio interno;
- acabamento artesanal;
- tecnologia embarcada;
- sensação de exclusividade.
Além disso, ele conta com um espaço traseiro ampliado, podendo se transformar em uma área confortável para trabalho ou descanso, por exemplo. Esse posicionamento transformou o Maybach em um símbolo frequente de status ligado ao universo corporativo e financeiro.
Universo de O Diabo Veste Prada continua influente quase 20 anos depois
Mesmo após duas décadas do lançamento original, O Diabo Veste Prada continua sendo uma das principais referências culturais quando o assunto é moda executiva, luxo corporativo e construção de imagem profissional.
A continuação do filme reforça justamente essa atualização estética do poder. Agora, o luxo apresentado pela produção aparece de maneira menos extravagante e mais estratégica, acompanhando mudanças recentes do mercado premium global.
Esse movimento ajuda a explicar por que elementos aparentemente secundários, como o carro da personagem, ganham tanta relevância simbólica. Eles funcionam como ferramentas de comunicação visual capazes de transmitir autoridade antes mesmo de qualquer fala.





