Alojamento em Jacarepaguá divide índios que ocupavam Aldeia Maracanã

Enquanto parte deles já está no local, outra parte, descontente, participa de audiência na Justiça

A escolha do terreno em Jacarepaguá, na Zona Oeste, para a construção de alojamentos dividiu os índios que ocupavam a Aldeia Maracanã (antigo Museu do Índio), na Zona Norte do Rio. Enquanto 12 deles chegaram neste domingo ao local, onde ficarão provisoriamente, outra parte, descontente com a escolha, se dirigiu nesta madrugada ao atual Museu do Índio, em Botafogo, na Zona Sul. O grupo, que seria integrado por cerca de 60 pessoas, entre índios e ativistas, foi retirado pela polícia e levado para a sede da Justiça Federal, no Centro. Uma audiência está sendo realizada para tentar resolver o impasse. Um representante da Funai foi chamado ao local.

Por volta das 4h da madrugada, a polícia fechou a rua da sede do atual Museu do Índio, na Rua das Palmeiras, em Botafogo, para retirar o grupo que estava no local. Índios e manifestantes teriam saído do Hotel Acolhedor Santana 2, no Centro (para onde foram levados pelo governo do Estado após a retirada da Aldeia Maracanã), e se encaminhado para o prédio. 

A desocupação da Aldeia Maracanã, na sexta-feira (22), foi marcada pelo confronto com policiais do Batalhão de Choque da PM.

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Neste sábado (23), funcionários do Estado concluíam a montagem das instalações que abrigarão os índios que foram retirados da Aldeia Maracanã. O local onde foram construídos os alojamentos abriga a antiga colônia de Curupaiti, destinada a portadores de hanseníase. O terreno é ocupado por cerca de 2 mil pessoas, sendo 250 hansenianos. O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) emitiu nota oficial destacando que não se opõe à chegada dos índios, mas reforçando que a ocasião é uma oportunidade para reflexão sobre como a sociedade lida com o problema das populações historicamente excluídas. "As pessoas atingidas pela hanseníase e os indígenas, que lutam pela manutenção de sua identidade étnica e pelo exercício de sua cidadania, fazem parte deste grupo."

Veja a nota:

O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) vem tornar pública a sua posição em relação à possibilidade da antiga colônia de Curupaiti, em Jacarepaguá, receber os índios retirados da Aldeia Maracanã na manhã desta sexta-feira, 23/03. O Morhan atua há mais de três décadas no enfrentamento do preconceito e do estigma ainda associado à doença, sendo um movimento que valoriza e busca a garantia dos direitos humanos.

Em função disso, deixamos claro que o Morhan não se opõe a chegada dos índios, que serão bem recebidos pela população que hoje vive na antiga colônia. Porém, a ocasião é oportunidade valiosa para uma reflexão sobre como a sociedade lida com o problema das populações historicamente excluídas. As pessoas atingidas pela hanseníase e os indígenas, que lutam pela manutenção de sua identidade étnica e pelo exercício de sua cidadania, fazem parte deste grupo.

Terreno

Os índios escolheram na sexta-feira o terreno de Jacarepaguá, oferecido pelo governo do estado, para construir o alojamento provisório. Em nota, o governo afirmou que o Centro de Referência da Cultura Indígena, que antes seria na Quinta da Boa Vista, também será construído no local. No entanto, de acordo com o cacique Carlos Tukano, um dos líderes do grupo, ainda haverá um diálogo sobre essa possibilidade, pois os índios preferem que o centro de referência seja no Centro da Cidade.

"Escolhemos o terreno em Jacarepaguá que é uma área ampla, com bastante vegetação, mas o Centro de Referência Indígena queremos na região central. Vamos sentar para conversar com o governo sobre essa questão", afirmou Tukano.

Os indígenas visitaram na sexta (22) os três locais oferecidos pelo estado, acompanhados da subsecretária de Assistência Social e Descentralização da Gestão, Nelma de Azeredo, e optaram pelo terreno de Jacarepaguá, que tem dois mil metros quadrados. Além do bairro da Zona Oeste, eles tinham a opção de escolher um espaço em Bonsucesso ou ao lado do galpão da empreiteira Odebrecht, na Avenida Visconde de Niterói.

“Os índios foram conhecer o espaço que lhes oferecemos em Jacarepaguá, na antiga Colônia Curupaiti, e gostaram tanto que decidiram ficar por lá desde já. Eles decidiram também que o Centro de Referencia da Cultura Indígena será construído na mesma área. Isso torna tudo mais fácil, porque não teremos que esperar o presidio da Quinta da Boa Vista ser desativado para começarmos as obras do Centro”, afirmou o secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, contrariando Tukano no que se refere ao Centro de Referência Indígena.

Os alojamentos para residência temporária contarão com beliches, contêiner cozinha e contêiner banheiro, sendo um feminino e um masculino. 

* do projeto de estágio do JB