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Exclusivo: Viúva de Marielle fala da importância de homenagem de Waters

'Foi extremamente emocionante', disse Mônica Benício ao JORNAL DO BRASIL

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A viúva de Marielle Franco, Mônica Benício, falou com exclusividade ao JORNAL DO BRASIL que a homenagem, feita por Roger Waters à vereadora executada em março, foi 'extremamente emocionante'. 

'É muito emocionante ver o alcance e a projeção que o nome e a luta da Marielle têm hoje e o que a gente continua dando seguimento a isso. E essa luta é a continuidade dessa voz que é a garantia do legado político dela', disse.

Mônica afirmou também que continua esperando um posicionamento da Justiça em relação à morte de Marielle. 'Quando eu vejo ela alcançar um show desses, é profundamente emocionante entendendo a importância mundial que isso tem hoje. E o quanto é importante que a gente continue com o nome dela nessa pauta. Que não é só uma pauta mais do Brasil, mas é uma pauta mundo pra cobrar Justiça pelo nome dela', destacou. 

Veja, na íntegra, a fala feita com exclusividade ao JORNAL DO BRASIL:

Show no Rio

O músico inglês Roger Waters prestou homenagem, nesta quarta-feira (24), à Marielle Franco, vereadora e ativista carioca executada em março no Rio de Janeiro. Durante o show, realizado no Maracanã, o roqueiro convidou a viúva, a irmã e a filha da vereadora ao palco.

>> Roger Waters homenageia Marielle Franco em show no Rio

Macaque in the trees
Homenagem à Marielle Franco (Foto: Reprodução Internet)

Mônica, a filha Marielle, Luyara Santos, e a irmã, Anielle Franco, entregaram ao cantor britânico uma camiseta com os dizeres "Lute como Marielle Franco", que ele imediatamente vestiu. Waters abriu o microfone às três, que puxaram um coro de "ele não", referindo-se ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). 

O músico, que tocou todo o tempo debaixo de chuva, contou ter ficado de "coração partido" ao ler sobre a execução da parlamentar num jornal, à época do crime. "Eu estava em Londres e li uma notícia que partiu meu coração. Guardei no meu bolso", disse, antes de exibir o recorte, reproduzido num telão. "Marielle está conosco, no nosso coração e de muitas formas. Marielle Franco é a líder deste País".

O cantor então citou nominalmente quatro deputadas do PSOL recém-eleitas no Rio com o intuito levar adiante as mesmas pautas Marielle, em defesa da população negra e de favelas, notadamente - Renata Souza, Dani Monteiro, Monica Francisco (antigas colaboradoras) e Talíria Petrone. Uma foto delas também foi mostrada no telão. "Elas representam a semente que Marielle Franco plantou em sua vida curta, mas importante", definiu.

Waters então chamou os familiares de Marielle ao palco. "Isso aqui é uma família, quer eles gostem ou não", afirmou Mônica. "São 224 dias sem resposta. Não há democracia enquanto o estado não responder", disse a viúva, numa alusão ao fato de que o assassinato não foi elucidado até hoje.

Logo em seguida, Mônica puxou o "ele não". Emocionado, Waters depois continuou: "Sou um defensor dos direitos humanos, como são muitas pessoas aqui. Infelizmente, nem todos no mundo defendem os direitos de todos independentemente de etnia e nacionalidade", criticou, citando os palestinos.

A divisão do Maracanã, de 47 mil pessoas, segundo informações da produção, começou antes mesmo do início do show, e atravessou a noite até o último acorde - como tem sido ao longo da trajetória no Brasil da turnê "Us + Them", que coincide com o tenso período eleitoral e que já passou por São Paulo, Brasília, Salvador e Belo Horizonte. Durante todo o espetáculo se ouviu o embate entre os gritos de "ele não" e "mito" de lado a lado.

Entre momentos de coro em clássicos do Pink Floyd, como "Speak to me", "Time", "Wish you were here", "Money" e "Us and them", todos pontuados por projeções de alta voltagem crítica a políticos de direita, como o presidente norte-americano Donald Trump - o alvo preferencial de Waters -, os fãs manifestaram suas preferências.

O ápice foi em "Another brick in the wall", quando surgem no telão mensagens de resistência ao neofascismo. O nome de Bolsonaro, que tinha sido incluído numa lista de políticos assim denominados por Waters, no primeiro show no Brasil, em São Paulo, dia 9, não voltou a ser citado (ele repetiu o que já fizera após a polêmica da estreia nas datas que se seguiram).

O vigor do ex-líder do Pink Floyd, aos 75 anos cantando por 140 minutos sob uma chuva fina, porém persistente, superou qualquer controvérsia. 



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