ASSINE
search button

Na Europa, instabilidade, recessão e manifestações

No texto, foco na Espanha, Grécia e Portugal

Compartilhar

O agravamento da crise econômica - que assola grande parte dos países da zona do euro - fez com que 2012 fosse de muita turbulência na Europa. Em diversos locais, as manifestações contra as medidas de austeridade propostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), e acatadas por muitos governos, marcaram o ambiente social. Em países como Espanha, Grécia e Portugal esta situação ficou evidente e os problemas sociais decorrentes da crise econômica se intensificaram.

Na retrospectiva do Jornal do Brasil, os fatos acontecidos na Europa estão divididos em duas matérias. Na primeira, que será publicada nesta segunda-feira (24), ficará exposta a situação de Espanha, Portugal e Grécia ao longo do ano. Na segunda, os destaques de França, Itália, Reino Unido e Alemanha.  

Espanha e Portugal: desemprego e manifestações

A península ibérica passou por maus momentos em 2012. Na Espanha, a crise social se agravou bastante levando a diversas manifestações em todo o território nacional, como greves e protestos aos cortes de gastos do governo de Mariano Rajoy. O desemprego atingiu 25% da população, número que chega a 50% entre os jovens.

>> Europa protesta contra medidas de austeridade

>> Manifestação em Madri leva milhares às ruas e confrontos com a polícia

>> Após um ano, movimento dos indignados na Espanha volta às ruas

Em Madri, milhares de pessoas se reuniram por diversas vezes para pedir mudanças. O movimento dos indignados, que já havia agitado a capital espanhola em 2011, voltou às ruas em maio. O jornal americano New York Times preparou uma reportagem especial deflagrando uma situação inusitada em diversas cidades do país: por uma questão de saúde pública, prefeitos trancaram lixeiras para evitar que as pessoas, com fome, comessem os restos. Os bancos começaram a despejar diversas pessoas que não conseguiram pagar suas hipotecas, provocando uma onda de suicídios. O governo espanhol aprovou um decreto-lei em novembro para aliviar a política de execuções hipotecárias.

>> NYT diz que Espanha tranca o lixo por conta da fome da população

>> Na Espanha, Dilma pede que Europa reveja políticas de austeridade

A presidente Dilma Rousseff foi à Espanha em novembro para tratar das restrições à entrada de brasileiros. O discurso brasileiro passou a ser o da reciprocidade, aumentando o rigor na admissão de espanhóis no Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que havia sido encontrado um caminho para reduzir esses “embaraços” na ocasião. 

Em Portugal, o ano também foi marcado pelas medidas de austeridade adotadas. O governo aprovou, em novembro, um orçamento enxuto para 2013. Ao longo do ano, sindicatos e populares articularam greves e protestos que paralisaram o país.

Grécia: crise política e social

Na Grécia, a instabilidade política foi o grande destaque. Com a economia extremamente abalada, foram realizadas duas eleições legislativas e três governos foram formados. Após  diversos combates políticos, o conservador Antonis Samaras foi nomeado primeiro-ministro grego em junho, prometendo cumprir os acordos internacionais do país e, assim, receber ajuda externa. Houve fortalecimento de partidos extremistas, como o neonazista Amanhecer Dourado.

>> Conservador Antonis Samaras é nomeado primeiro-ministro da Grécia

>> Parlamentar neonazista agride comunista em debate na TV grega 

>> Grécia tem nova greve geral contra medidas de austeridade econômica

Em outubro, ocorreu a quinta greve geral do ano, que paralisou o país. As manifestações se intensificaram em todo o território nacional, bem como a violência e a pobreza.