Máscaras do Bolsonaro, Crivella e Kim Jong-un são apostas para Carnaval 2018

A maior fábrica de máscaras do país, a Condal, resolveu apostar no deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro, no prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella e até no líder norte-coreano Kim Jong-un como novidades para o Carnaval deste ano. A presença das máscaras remonta à antiguidade clássica e carrega toda uma simbologia complexa que permanece até hoje, explica o pesquisador de Carnaval e jornalista João Gustavo Melo. A escolha por uma máscara do Bolsonaro ou do Crivella, contudo, só tem sentido a partir da performance a ser feita pelo folião. 

"A máscara é a famosa esconde mas revela, esconde o rosto verdadeiro, mas revela o rosto interior. É uma forma de expressar o que se é a favor ou contra. A máscara, em si, não é nada. A maneira de usar, o se que encena, a performance feita com a máscara é o que dá sentido a ela, se é para ridicularizar ou louvar um personagem", destaca Felipe Ferreira, professor do Instituto de Artes da Uerj na graduação e na pós-graduação, coordenador do Centro de Referência do Carnaval e autor de diversos livros sobre o tema.

A motivação para produzir a máscara do Crivella, inclusive, partiu de grupos ligados à figura do político. Gabriel Barros, diretor artístico da fábrica de máscaras que fica em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, diz que, além do fato da fábrica estar localizada no mesmo Estado do prefeito, o que influenciou a escolha da empresa em fabricar tal máscara foi a série de pedidos feitos mesmo antes de Crivella assumir o cargo, por parte de entidades religiosas e políticas. Já a decisão de apostar também na máscara do Bolsonaro partiu da abrangência nacional da figura do parlamentar. 

As novidades deste ano, porém, não chegaram a atingir o sucesso de máscaras já clássicas no carnaval, destacou Barros para o Jornal do Brasil. Ele conta que a fábrica fez uma atualização da máscara do Ciro Gomes e chama a atenção para o sucesso da máscara do presidente Michel Temer, que, pela primeira vez na história da fábrica com máscaras de políticos, foi vendida até no Halloween de 2017. 

Outras que fazem sucesso são a do senador Aécio Neves, da ex-presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula e do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que foi a aposta do ano retrasado. "A máscara do Eduardo Cunha sempre saiu, mais até do que a do juiz Sérgio Moro. Parece que as máscaras dos 'vilões' fazem mais sucesso do que as máscaras dos considerados 'mocinhos'", comenta Gabriel Barros. 

O diretor artístico informou que, em ano de crise, a fábrica tem se remodelado e se atualizado, de olho em uma melhoria futura. A expectativa é de que as vendas subam, de fato, só em 2019. 

O pesquisador João Gustavo Melo esclarece que, como "tempo espaço da pilhéria", o Carnaval sempre escolhe seus alvos. "No Carnaval de 1992, por exemplo, as máscaras de Fernando Collor e PC Farias foram o sucesso. É a forma das pessoas exorcizarem seus fantasmas, evocarem personagens do cenário político, transformando-os em caricaturas vivas". 

Para Melo, Bolsonaro e Crivella representam o anti-carnaval, assim como Trump e outros personagens da política mundial. "A esses, o espírito carnavalesco não perdoa. São caricaturas vivas, prontas para ganharem as ruas pelo poder subversivo da coletividade. Essa é a magia do Carnaval, que muitos não sabem lidar. A folia é o maior poder de mobilização de que dispomos", opina o pesquisador. 

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