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Após prisão de Loures, Temer avalia com aliados próximos passos

Planalto receia uma possível delação premiada de ex-assessor do presidente

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O presidente Michel Temer deverá permanecer em Brasília neste domingo (4), em reuniões com auxiliares e aliados para avaliar os próximos passos após a prisão de seu ex-assessor, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), na manhã de sábado (3).

A preocupação é com uma possível delação premiada de Loures, homem até então de confiança de Temer, e que foi flagrado numa gravação carregando uma mala com R$ 500 mil na delação do dono da JBS, Joesley Batista.

Temer esteve em São Paulo por duas vezes entre sexta-feira e sábado. Ele se encontrou com seu advogado e também com o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin. Na conversa, Temer reforçou a importância de o PSDB permanecer na base aliada, diante da ameaça de um desembarque.

Além da prisão de Loures, a proximidade do início do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir de terça-feira (6), agrava ainda mais a situação de Temer, e precipita a possibilidade de debandada de aliados.

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Prisão

Rocha Loures foi preso preventivamente na manhã de sábado (3) em Brasília, e levado para a Superintendência da PF no Distrito Federal. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Lava Jato, sustentou no seu pedido que a prisão de Loures era “imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal".

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido, novamente, na quinta-feira (1º) ao Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão preventiva de Loures, flagrado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil na Operação Patmos, investigação baseada na delação premiada da JBS. O pedido foi feito após o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio voltar para o cargo de deputado federal. Com o retorno, Loures, que era suplente de Serraglio, perdeu o foro privilegiado.

No recurso, Janot afirma que a prisão de Loures era “imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal”. O procurador justifica que há no inquérito aberto pelo Supremo escutas telefônicas e outras provas que demonstram que Loures atuou para obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

'Longa manus'

Janot classificou Rocha Loures como “homem de total confiança, verdadeiro longa manus do presidente da República, Michel Miguel Elias Temer Lulia”. A declaração de Janot foi feita quando ele reapresentou no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de prisão preventiva de Loures. A expressão “longa manus” significa executor de ação premeditada por outro.

Loures e Temer são alvo de um mesmo inquérito sob condução de Fachin. A procuradoria suspeita de prática de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à investigação. Janot reafirmou que o ex-assessor especial ‘aceitou e recebeu com naturalidade, em nome de Michel Temer’, oferta de propina de Joesley Batista, acionista da JBS.