Eike Batista já é considerado foragido internacional pela Interpol

Empresário deixou o Brasil horas antes de ter prisão decretada, com passagem só de ida

Com a prisão preventiva decretada nesta quinta-feira (25), o empresário Eike Batista, que para os Estados Unidos com passaporte alemão dias antes da operação, já é considerado foragido internacionalmente pela Interpol. A Organização Internacional de Polícia Criminal atendeu a um pedido da Polícia Federal do Brasil e emitiu o alerta chamado de "difusão vermelha", que permite a extradição da pessoa procurada em qualquer país onde ela seja encontrada.

O empresário, que teve sua prisão pedida pela Justiça Federal nesta quinta-feira (26), reservou passagem só de ida para Nova York. Ele chegou na quarta-feira aos Estados Unidos, num voo da American Airlines, antes de a Operação Eficiência ter sido deflagrada. Até o momento, não haveria registro de reserva de passagem para a volta ao Brasil.

Eike é filho de uma alemã e tem dupla nacionalidade. O passaporte permite que ele entre sem visto em vários países e a Alemanha, para onde o empresário poderia fugir, não tem acordo de extradição com o Brasil.

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De acordo com o delegado Tacio Muzzi, a informação de que ele estaria fora do país só chegou ao conhecimento da PF nesta madrugada. “Na primeira hora de hoje levantou-se a possibilidade de uma reserva para um voo da American Airlines, voo 974, com destino a Nova York, chegando na parte da manhã. Agora, a Polícia Federal já está em pleno contato com a Interpol, primeiro para localizar, para verificar se ele efetivamente chegou à Nova York. Essa informação não foi confirmada ainda, mas a Interpol já está verificando no âmbito da cooperação policial”, afirmou o delegado em coletiva da Operação Eficiência.

O advogado de Eike Batista afirmou nesta quinta-feira (26) que seu cliente pretende se entregar à Justiça o mais breve possível. Fernando Martins informou que o empresário está em Nova York para participar de reuniões de negócios.

O advogado Sérgio Bermudes, que defende o empresário nas causas cíveis, afirmou à Folha de S. Paulo que Eike está entre Nova York e Miami e viajou aos EUA para cuidar de um processo relacionado ao bloqueio de US$ 63 milhões em bens pela Justiça das Ilhas Cayman.

O jornal O Dia afirma que o empresário estaria hospedado no apartamento de um renomado advogado carioca, na Trump Tower, do atual presidente dos EUA, Donald Trump.