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Operação Arquivo X cumpre 7 mandados de prisão temporária

Um dos presos é Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, ex-OSX e atual Sete Brasil

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A Polícia Federal cumpriu 7 dos oito mandados de prisão temporária expedidos no âmbito da Operação Arquivo X, entre eles o ex-ministro do governo Dilma, Guido Mantega. O alvo do oitavo mandado, Julio Cesar Oliveira Silva, ainda não foi localizado e estaria na Espanha, sem previsão de retorno. O MPF tinha solicitado prisão preventiva, mas o juiz Sérgio Moro decretou prisão temporária, com o prazo de cinco dias. Moro, contudo, revogou a prisão de Mantega no início da tarde, "esvaziados os riscos de interferência".

Além de Mantega, foram presos temporariamente Luiz Eduardo Neto Tachard, Ruben Maciel da Costa Val, Danilo Souza Baptista, Luiz Eduardo Guimarães Carneiro (ex-presidente da OSX e atual presidente da Sete Brasil) e Luiz Claudio Machado Ribeiro, Francisco Corrales Kindelan.

"Ao fim do prazo de cinco dias, decidirei sobre o pedido de prisão preventiva caso haja novo requerimento da autoridade policial e do MPF nesse sentido, com esclarecimento, ainda que sumário, do resultado das buscas e dos depoimentos prestados", escreveu Sérgio Moro no despacho encaminhado à imprensa no final da manhã.

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De acordo com o delegado da Polícia Federal, Igor Romário de Paula, os sete presos chegarão à sede da Polícia Federal de Curitiba até as 21h, em aeronaves da PF e também em voos comerciais. Apenas dois deles estavam na mesma cidade. Mantega, que teve a prisão revogada, seria liberado ainda durante a tarde. 

A Operação X deflagrada nesta quinta-feira (22) envolve três vertentes -- ligadas a João Augusto Henriques, José Dirceu e a Guido Mantega, cada uma delas --, mas a força-tarefa deu foco ao caso relacionado ao ex-ministro do governo de Dilma Rousseff durante a coletiva de imprensa. 

A PF cumpriu sete mandados de condução coercitiva e 15 de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro, na capital e em outros três municípios: Niterói, no Grande Rio; Cabo Frio, na Região dos Lagos; e São João da Barra, no Norte do estado.

Um dos alvos é a sede da empresa OSX, no centro da cidade do Rio de Janeiro. De acordo com o Ministério Público Federal, o ex-presidente do Conselho de Administração da empresa, Eike Batista, prestou um depoimento voluntário à Procuradoria da República, "narrando fatos e apresentado provas" de ter recebido um pedido, em novembro de 2012, de Guido Mantega, também presidente do Conselho de Administração da Petrobras, para que fizesse um pagamento de R$ 5 milhões para o Partido dos Trabalhadores (PT).

Questionados repetidas vezes sobre a situação de Eike Batista, os integrantes da força-tarefa destacaram que o empresário apenas prestou depoimento "voluntário" como testemunha, não como colaborador, e que portanto tinha o "direito constitucional de continuar em silencio ou prestar as informações que desejasse". Há evidências, contudo, disse o próprio procurador, que Eike Batista sabia do pagamento das propinas no consórcio.

Sobre a investigação de políticos ligados a outros partidos que não ao PT, o procurador disse que a equipe está investigando o operador de propina ligado ao PMDB, João Henriques, mas que "não há indicativos de nomes de eventuais políticos". Já em relação ao PT, ele apontou "suspeitas em relação a José Dirceu e André Vargas".

Para os procuradores, o depoimento de Eike Batista "se soma ao quadro geral de corrupção instalado no governo federal desde 2004". "Há uma coincidência deste pedido feito pelo presidente do conselho de administração da Petrobras a empresário que iria receber pagamento relativo a obras que prestava para Petrobras", destacou Carlos Fernando.

Os que foram alvo das prisões coercitivas terminavam de prestar depoimento em unidades da PF por volta das 11h.

A 34ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Arquivo X, investiga contratação, pela Petrobras, de empresas para a construção de duas plataformas. O MPF diz que há prova de que Eike Fuhrken Batista teria pagado USD 2,350 mi em 16 de abril de 2013 a João Cerqueira de Santana Filho e  a Mônica Regina Cunha Moura mediante depósito, comprovado documentalmente, em conta da off-shore Shellbill Financeira mantida no Heritage Bank.

Segundo o próprio depositante, tais valores seriam destinados a remunerar serviços por eles prestados ao Partido dos Trabalhadores e teriam sido solicitados por Guido Mantega, então ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. O pagamento estaria vinculado ao esquema de propina na Petrobras, acredita a força-tarefa.

Confira o despacho de Moro que decretou prisão temporária de Mantega e outros