O ex-ministro Ciro Gomes alertou, em encontro com vereadores do PDT nesta terça-feira (12), para a tentativa de alguns setores de romper com a democracia eleitoral. Crítico do governo da presidente Dilma Rousseff, mas contrário ao impeachment, Ciro afirmou que governos ruins podem ser trocados nas eleições, mas a democracia do voto deve ser preservada, sob o risco da ruptura.
“Nossa geração ganhou todas as lutas do passado. Sabíamos o que queríamos: anistia, eleição direta, constituinte, depois o enfrentamento da inflação. E ganhamos todas pelo milagre da democracia e da política. Governo ruim, se a gente não gosta, a gente passa ligeira. Democracia, não”, alertou Ciro, pré-candidato do PDT em 2018.
Ciro, que já foi ministro no governo Lula, acusou o Congresso Nacional de ignorar as pautas da população e fazer o jogo de empresas por meio de lobby das bancadas. O ex-ministro também chamou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de “ladrão” e “quadrilheiro”.
“O nosso povo é lembrado da sua agenda -- escola, saúde, violência, transporte -- na véspera da eleição. Quando acaba a eleição, o parlamentar vem para cá e o povo se dispersa. Quem toma conta aqui é o lobby, o grupo de pressão. Uma pessoa que tem todos os defeitos do mundo como governante está sendo atentado contra seu mandato por um conjunto de ladrões. Eu tenho horror de ter chamado alguém de ladrão se ele ainda não foi condenado ainda. Mas o Eduardo Cunha é ladrão, eu conheço Eduardo Cunha há muitos anos, é quadrilheiro, é bandido. Chamei de ladrão a 5 metros dele e ele nem sequer reagiu, esperou 10 dias para me processar na justiça, onde eu chamei de novo”.
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