Em reunião, senadores da base creditam derrota do governo à reforma ministerial

Os principais líderes do Senado fizeram um balanço negativo da segunda derrota consecutiva do governo na apreciação dos vetos, nesta quarta-feira (7). Os senadores avaliam que o governo está errando ao não ceder cargos relevantes a partidos menores da base, como PSD, PR, PP, PTB e PROS, que contestam a prioridade dada ao PMDB.

“O governo está querendo rezar um terço no meio do bordel”, reprovou o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), se referindo à resistência do Planalto às indicações para cargos importantes do segundo e terceiro escalão para atender aos insatisfeitos.

“O Eduardo da Fonte (líder do PP na Câmara) me disse que o partido ficou chateado com a reforma ministerial e que vai obstruir até resolver”, confidenciou aos demais colegas o senador Omar Aziz (PSD-AM), em conversa mantida com o líder do PP na terça-feira à noite.

A avaliação ocorreu logo após a sessão dos vetos ser suspensa e reuniu o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), o líder do PMDB, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o líder do governo Delcídio Amaral (PT-MS). Participaram ainda os senadores Jader Barbalho, Walter Pinheiro (PT-BA), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Omar Aziz.

O líder do PMDB no Senado, na mesma linha dos demais, criticou a lentidão do governo, mas não poupou o presidente da Câmara do Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), investigado na operação Lava Jato.

“Primeiro sequestraram o plenário para não realizar a sessão, agora estão sequestrando os deputados”, ironizou Eunício Oliveira.

“O pior é que deixaram esse menino nu com a mão no bolso”, comentou o senador Ricardo Ferraço a respeito do líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), escolhido pelo Palácio para ser o interlocutor do governo entre no Parlamento. Nas duas tentativas de apreciar os vetos o número de deputados foi insuficiente.

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