Ao deixar prisão, Cachoeira diz ser 'garganta profunda' do PT

Ao deixar o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO) por volta das 18h50 desta terça-feira, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fez um desabafo. “Vou falar para vocês: o PT sabe que eu sou o 'garganta profunda' do PT”, afirmou de dentro do carro. O contraventor foi solto após o juiz federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) conceder um habeas-corpus. Ele estava preso desde sábado na penitenciária. 

O bicheiro indicou estar com vontade de contar sua versão do processo que o levou a prisão. “Cabe recurso total (do processo). O que fizeram aí foi um estupro. Descobriram o garganta profunda de Watergate. E depois eu vou falar quem que é o garganta profunda: posso falar que é do PT”, disse.  

Cachoeira disse que iria pedir ao advogado Nabor Bulhões permissão para que ele fale nesta quarta-feira o que até agora não falou. E citou a CPI do Cachoeira no Congresso. “Agora eu acho que vou falar realmente. Amanhã tem a coisa da CPI, né, o relatório final. Vou falar de alguns personagens que a Delta tem diretamente participado na vida deles e que hoje estão na CPI fazendo um relatório totalmente sem escrúpulo nenhum”, disparou. 

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Garganta profunda foi o codinome pelo qual ficou conhecido um informante dos jornalistas do jornal Washington Post que desmascararam o plano do presidente Richard Nixon para destruir os rivais do Partido Democrata. O fato ficou conhecido como Caso Watergate e levou à queda de Nixon. O "espião" só se revelou em 31 de maio de 2005, por meio de um artigo de revista. Ele era W. Mark Felt, vice-diretor do FBI, polícia federal norte-americana, na década de 1970.

Na saída, Cachoeira criticou também as idas e vindas do relatório da CPI. “Tira jornalista, põe jornalista. Põe pessoa física, tira pessoa física. Pede indiciamento – e eles não podem indiciar ninguém”, disse o contraventor, que ainda afirmou que "foi feita Justiça" com a sua nova soltura. Questionado se estava aliviado por estar fora da prisão, Cachoeira sugeriu que acredita que sua defesa vai conseguir extinguir o processo.“Aliviado eu vou estar na hora que este processo estiver trancado. Realmente vai ser trancado porque as provas são todas colhidas ilegalmente”, avaliou o contraventor em uma rápida entrevista.

Ao apreciar liminarmente o habeas-corpus apresentado pela defesa do réu, o magistrado Tourinho Neto entendeu não haver motivo para manter Cachoeira preso. A prisão preventiva havia sido decretada, em primeira instância, pelo juiz federal Alderico Rocha Santos, da 11ª da Seção Judiciária de Goiás na última sexta-feira. Na ocasião, Cachoeira foi condenado a 39 anos e 8 meses de reclusão por diversos crimes relacionados à manutenção de jogos de azar ilegais e teve o prazo de prisão preventiva estipulado em dois anos, que poderia ser substituído, ao final, pelo pagamento de fiança no valor de R$ 10 milhões.

Na avaliação de Tourinho Neto, contudo, a execução provisória da pena foi inconstitucional. "No nosso ordenamento jurídico, não existe prisão preventiva quantificada em tempo", anotou. O magistrado afirmou que esse tipo de prisão só pode ser decretado para garantir a ordem pública, a ordem econômica, a conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da pena. Na visão de Tourinho Neto, nenhum desses requisitos encontra-se presente no caso em questão.