Em posse de ministro, Dilma responde críticas a reforma agrária 

Brasília - No discurso de posse do novo ministro do Desenvolvimento Agrário, a presidente Dilma Rousseff respondeu a críticos da lentidão com que a reforme agrária vinha sendo feita em seu governo. "Eu quero dizer que essa condição de garantir uma agricultura familiar pujante é garantir também um padrão de qualidade da reforma agrária", disse ela, destacando a importância do assunto em seu governo. "Não basta reduzir a pobreza se você não der um sentido produtivo."

Dilma participou nesta quarta-feira da posse do novo ministro da pasta, o deputado federal Pepe Vargas (Pt-RS), que assumiu o lugar de Afonso Florence (PT-BA), que voltará a assumir seu cargo na Câmara Federal. No início de seu discurso, ela se esforçou para demonstrar satisfação com o trabalho de Florence (PT-BA), apesar de fontes dizerem que ela não estava contente com a atuação dele no comando da pasta.

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"Considero que o ministro Florence soube ampliar e contribuir as condições para a política das pequenas propriedades", disse ela, que o cumprimentou pela 'lealdade' e acrescentou que ele "trabalhou decisivamente na sua área".

Em seguida, Dilma falou sobre a importância da pasta em seu governo e no de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu considero que a agricultura familiar durante o governo Lula e o meu cumpre um papel estratégico para nosso País", disse ela, que falou também do programa Brasil Sem Miséria. "Nosso propósito ao lançar o programa Brasil Sem Miséria era articular o Ministério do Desenvolvimento Social com o Ministério do Desenvolvimento Agrário."

Dilma antecipou ainda que vai lançar mais um programa educacional, desta vez voltado para o campo. O nome do programa é "Pronacampo", similar ao nome de outras iniciativas como o "Pronatec", voltado ao ensino técnico.

Por fim, Dilma se voltou aos dois deputados, o que deixa a pasta do Desenvolvimento Agrário e o que a assume. "Desejo ao Afonso Florence um longo e muito bem sucedido retorno à Câmara dos Deputados", disse. "Espero continuar com seu apoio, sua parceria e sua lealdade", afirmou, completando com um recado a Pepe Vargas: "desejo boa sorte, muito sucesso e, sobretudo, muito trabalho".

Histórico

Dilma demitiu Afonso Florence na última sexta-feira à noite. Apesar da surpresa com o timing da substituição no Ministério do Desenvolvimento Social, a saída de Florence da pasta era esperada desde o ano passado, quando começaram a circular notícias sobre a chamada reforma ministerial. Dilma estaria insatisfeita com o desempenho do ministro. No último fim de semana, por meio de nota, a Presidência da República divulgou nota reiterando o apreço da presidente pelo ministro demissionário.

A próxima mudança esperada na Esplanada dos Ministérios é no ministério do Trabalho, sob comando interino de Paulo Roberto Pinto desde a saída de Carlos Lupi da pasta por denúncias de corrupção há quatro meses. O nome escolhido pela presidente Dilma foi o de Brizola Neto (PDT-RJ), que mantém a discrição para não correr o risco de a mandatária mudar de ideia.

As substituições acontecem em meio a uma crise política do governo, com rebelião da base aliada. Ontem, o anúncio oficial da substituição dos líderes do governo na Câmara e no Senado pode ter azedado ainda mais a relação do Planalto com o Congresso. Um sinal disso foi a escolha por parte do PMDB do ex-líder Romero Jucá (PMDB-RR) para a relatoria do orçamento. Jucá jura que não guarda mágoas de Dilma, mas está à frente de uma matéria de fundamental importância para o Executivo.