Sujeira em licitação da Comlurb

Rafael Strauss
Credit...Rafael Strauss

Ano passado, o presidente do Tribunal de Contas do Município, Thiers Vianna Montebello, impugnou as pretensões da atual diretoria da Comlurb, comandada por Paulo Gustavo Moraes Mangueira, de escolher, por pregão eletrônico, a empresa responsável pela expansão do lixão de Gericinó.

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O presidente do TCM do Rio de Janeiro, Thiers Vianna Montebello (Foto: Reprodução)

Pelo tamanho do empreendimento, que envolve riscos de engenharia e expertise para evitar que o chorume contamine os rios que vão desaguar na Baía de Guanabara, o TCM exigiu a realização de Concorrência Pública, com transparência e a participação de empresas gabaritadas.

Após a proibição, há seis anos, da descarga de lixo e entulho em Gramacho, Duque de Caxias, às margens da Baía de Guanabara, e a concentração da descarga de lixo orgânico do Rio em Seropédica, o vazadouro de entulhos de construção em Gericinó, no centro da região metropolitana do Grande Rio, cresceu tanto que os taludes tiraram a visão do complexo penitenciário de Bangu de quem passa pela Avenida Brasil. Há muito material a ser reaproveitado, mas, desde 2014, isso não acontece por proibição da prefeitura.

Vassouras que limpam os gabinetes do presidente da Comlurb e dos diretores de Administração e Finanças, Arnaldo Félix de Sousa, e da área Técnica e de Engenharia, Júlio Cesar Vieira Bernardino, trio que tem poder para elaborar qualquer edital de contratação, encontraram, sob os tapetes, indícios de que os termos do edital favorecem, novamente, a firma vencedora do pregão anterior, considerado irregular pelo TCM: a Natura Ambiental.

Coincidências só no nome

Vale esclarecer que, apesar do nome, a empresa, com sede na Avenida Tancredo Neves, 3.503, em Japeri, na Baixada Fluminense, nada tem a ver com a empresa de cosméticos e beleza Natura, com sede em Curitiba e que tem ações negociadas até na Bolsa de Nova Iorque.

A Natura Ambiental e a Eco Care, localizadas no mesmo endereço, são controladas pelos sócios Rui Alexandre Bastos Moreira Dias e Sérgio Alberto Patrício do Nascimento. Ambas estão registradas no Simples Nacional.

Mas tratam de operações ligadas à sujeira, incluindo o transporte de produtos perigosos, com risco ao meio ambiente, para um centro de reciclagem no Caju, que foi interditado, e a reciclagem de materiais plásticos, sobretudo garrafas PET, para serem trituradas, após lavagem, para uso posterior na petroquímica.

Coincidência ou não a, filha de Paulo Mangueira dá expediente na Natura Ambiental, e dois funcionários da empresa de Japeri foram indicados para a área técnica da Comlurb, que elabora licitações e pregões eletrônicos.

ATUALIZAÇÃO DA NOTÍCIA 21/2/2020, 11H34

RESPOSTA DA COMLURB



Thiers Vianna Montebello, presidente do TCM
O presidente do TCM do Rio de Janeiro, Thiers Vianna Montebello