MUNDO

Abdul El-Sayed torna-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA

Democrata preserva uma vaga estratégica para o partido e derrota candidato apoiado por Trump

Por JB INTERNACIONAL
[email protected]

Publicado em 04/11/2026 às 09:12

Alterado em 04/11/2026 às 09:12

O candidato democrata ao Senado dos EUA, Abdul El-Sayed, reage após sua vitória nas eleições de meio de mandato, durante um comício na noite da eleição, em Detroit, Michigan Foto: Reuters/Brian Snyder

Abdul El-Sayed venceu a disputa pela vaga aberta de Michigan no Senado dos Estados Unidos, segundo projeções da mídia. Com isso, tornou-se o primeiro muçulmano eleito para a câmara e garantiu que o assento permanecesse com os democratas em uma eleição considerada crucial para o equilíbrio de forças em Washington.

A vitória também representou um avanço para a ala progressista do Partido Democrata. O resultado frustrou a tentativa dos republicanos de conquistar a cadeira deixada pelo senador Gary Peters, que se aposentou, em um cenário no qual o controle do Senado seguia em aberto.

A campanha de El-Sayed

Ex-funcionário de saúde pública, El-Sayed tem 42 anos e construiu sua campanha em torno da redução dos custos para famílias trabalhadoras e do combate à influência corporativa na política. Entre suas principais bandeiras estava o Medicare for All, proposta de saúde universal financiada pelo governo e defendida por setores progressistas do partido.

A mensagem econômica foi central para sua vitória. Em uma disputa marcada por temas ligados ao custo de vida, o democrata conseguiu se apresentar como alternativa a um eleitorado preocupado com preços, acesso à saúde e o papel das grandes empresas na política americana.

Os ataques e a reação dos democratas

Seu adversário, Mike Rogers, ex-congressista e ex-agente do FBI, entrou na corrida com forte apoio de Donald Trump e da estrutura republicana nacional. Durante a campanha, Rogers tentou retratar El-Sayed como um candidato radical e chegou a insinuar vínculos com a Irmandade Muçulmana, alegações negadas pelo democrata e sem evidências apresentadas.

Os democratas afirmaram que essa estratégia explorava estereótipos islamofóbicos. A campanha de Rogers também buscou conquistar o eleitorado judeu, em meio às críticas de El-Sayed à ajuda militar dos EUA a Israel e à sua classificação das ações israelenses em Gaza como genocídio.

Economia pesou mais que a ofensiva republicana

Apesar dos ataques, Rogers teve dificuldade para superar a preocupação dos eleitores com a economia e com a baixa aprovação de Trump. Nas semanas finais, ele ainda se distanciou do presidente em temas como uma possível guerra com o Irã e a disputa comercial com o Canadá, alegando que o fim desses conflitos ajudaria consumidores e empresas.

Antes da votação, os republicanos detinham maioria de 53 a 47 no Senado, e os democratas precisavam de um ganho líquido de quatro cadeiras para assumir o controle. A eleição em Michigan, portanto, tinha peso não apenas estadual, mas também nacional, dentro da disputa pelo comando da Casa.

Deixe seu comentário