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Meloni sofre derrota apertada em votação sobre sistema eleitoral na Itália

Premiê italiana lamentou resultado da votação na Câmara dos Deputados

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 14/07/2026 às 16:09

Alterado em 14/07/2026 às 16:34

Giorgia Meloni, a premiê italiana Foto: Ansa

A coalizão da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, sofreu uma dura derrota nesta terça-feira (14) na Câmara dos Deputados, em uma votação sobre um projeto de lei que altera o sistema eleitoral do país. A proposta, apoiada pelo Irmãos da Itália e pelos aliados de centro-direita, foi rejeitada por apenas um voto, em um escrutínio secreto que terminou em 188 a 187.

O que previa a emenda

A emenda permitiria que os eleitores indicassem na cédula o nome de um ou mais parlamentares. Pelo texto, se um partido conquistasse mais de um assento em determinado colégio eleitoral, o primeiro eleito seria escolhido pela legenda, enquanto as demais vagas seguiriam a preferência do eleitorado. A oposição classificou a ideia como uma tentativa de criar “preferências fictícias”, já que o cabeça de lista teria a eleição praticamente assegurada.

Os críticos também apontaram risco de retrocesso para a igualdade de gênero, argumentando que a proposta poderia permitir listas lideradas apenas por homens. Após o resultado, deputados da oposição entoaram gritos de “eleições” e “renúncia”, ampliando a pressão política sobre o governo.

Troca de acusações no Parlamento

O ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte, líder do Movimento 5 Estrelas, afirmou que o governo tentava “mudar as regras do jogo” e acusou Meloni de enganar os italianos com uma emenda considerada fraudulenta. Já Elly Schlein, secretária do Partido Democrático, pediu que a premiê “reconheça seu fracasso” e deixe o cargo, para dar lugar a um governo capaz de enfrentar os problemas do país.

Segundo a oposição, a votação foi também um recado contra a postura da chefe de governo, que estaria disposta a concentrar poder e enfraquecer adversários políticos. A derrota ocorreu no meio da discussão das emendas a um projeto de reforma eleitoral e aprofundou o clima de confronto em Roma.

Reforma eleitoral e impacto político

O plano de Meloni é substituir o modelo atual, que combina voto proporcional e distrital, por um sistema 100% proporcional com prêmio de maioria para a coalizão que alcançar 42% dos votos. Nesse cenário, a aliança em primeiro lugar receberia 70 cadeiras extras na Câmara e 35 no Senado, garantindo maioria para governar mesmo sem atingir metade dos votos.

Para a oposição, a iniciativa faz parte de uma estratégia para aumentar as chances de vitória do governo nas eleições previstas para meados de 2027. Depois da derrota, Meloni afirmou nas redes sociais que a esquerda votou em bloco contra a medida, mas reconheceu que também houve ausências entre os aliados. Ela disse que a emenda foi rejeitada por um voto e lamentou a oportunidade perdida para o povo italiano. (com informações da agência Ansa)

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