Papa Leão XIV rejeita ‘guerra justa’ e pede diálogo sobre Ucrânia

Em Madri, o pontífice afirmou que o conceito de guerra justa não se aplica ao Irã e defendeu negociações para conter a guerra na Ucrânia

Por JB INTERNACIONAL

Altar foi erquido nas ruas de Madri para o papa rezar missa aberta

Papa Leão XIV chegou a Madri neste sábado (6) para uma visita apostólica de uma semana à Espanha, marcando a primeira viagem de um pontífice ao país desde 2010. O avião papal pousou no Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas às 10h13, dando início a uma agenda que inclui compromissos em Madri, Barcelona e nas Ilhas Canárias.

Na chegada, o pontífice foi recebido pelo rei Felipe VI, pela rainha Letizia e pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, além de autoridades do governo espanhol. Desde cedo, centenas de fiéis e peregrinos já se concentravam nos arredores da Catedral da Almudena e do Palácio Real para acompanhar os primeiros atos públicos da visita.

Pontífice rejeita a ideia de guerra justa no caso do Irã

Questionado por jornalistas a bordo do avião papal sobre a possibilidade de aplicar a tradicional teoria da guerra justa ao caso iraniano, Leão XIV afirmou que esse conceito pertence a outro contexto histórico. Segundo ele, a realidade atual, com armas muito mais destrutivas, torna inadequada essa formulação para justificar ações militares.

“Não há guerra justa lá”, disse o Papa, destacando que a reflexão sobre o tema também aparece em sua recente encíclica Magnifica Humanitas. A pergunta surgiu após declarações do vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, que citou a teoria da guerra justa para defender ações militares americanas contra Teerã.

Apelo por negociação na guerra da Ucrânia

Ao comentar a guerra na Ucrânia, o Papa reforçou a necessidade de intensificar os esforços diplomáticos e insistiu que o diálogo é o caminho para conter a violência. Ele lembrou que houve tentativas de aproximação entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin, mas afirmou que a pressão por negociação precisa continuar.

Leão XIV disse estar preocupado com o agravamento diário do conflito e afirmou que, após quatro anos e meio de guerra, é preciso encontrar uma solução. O pontífice observou ainda que o tema também mobiliza setores dos Estados Unidos, o que, segundo ele, reforça a urgência de uma saída política.

Situação no Líbano também preocupa o Vaticano

O Papa também comentou a crise no Líbano, dizendo que mantém contato com líderes religiosos da região. Ele afirmou que a busca por uma resposta continua, mas reconheceu que o cenário é muito complexo e exige cautela.

As declarações foram dadas no contexto de uma viagem marcada por mensagens de paz e defesa da diplomacia, em meio a tensões internacionais que seguem sem solução à vista.