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SwissLeaks e o histórico de envio de dinheiro pelo mundo

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A recente operação batizada de "SwissLeaks" revelou o lado obscuro da fraude fiscal. Informações sobre milhares de contas escondidas no banco britânico HSBC foram vazadas pelo ex-funcionário Hervé Falciani. Quase 180 bilhões de dólares teriam transitado por mais de 100 mil contas do banco em Genebra, na Suíça. Os dados foram analisados por 154 repórteres de 47 países e correspondem ao período que vai de 2005 a 2007.

Personalidades do mundo todo e dos mais variados setores que vão desde a política até o entretenimento, as artes e o esporte, tiveram seus nomes incluídos.

Só o governo venezuelano do falecido ex-presidente Hugo Chávez depositou US$ 12 bilhões em quatro contas bancárias do HSBC naquele período, segundo o Swissleaks. Um primo do presidente sírio Bashar al-Assad, Rami Makhoul, mantinha US$ 15 milhões em sua conta. Outros nomes que aparecem são os dos reis Mohamed VI de Marrocos e Abdullah II da Jordânia. 

O Brasil surge em nono na lista de clientes com contas escondidas. O banco teria ajudado mais de 8,7 mil brasileiros a depositar cerca de US$ 7 bilhões nas contas secretas.

Entre personalidades das artes e entretenimento, aparecem a modelo Elle McPherson, a estilista Diane von Fürstenberg, a atriz Joan Collins, o ator americano John Malkovich e o humorista francês Gad Elmaleh.

Também foram revelados dados de esportistas como o piloto de motociclismo italiano Valentino Rossi, o piloto espanhol de Fórmula 1 Fernando Alonso e o jogador uruguaio de futebol Diego Forlán. 

Ao longo dos anos, o sigilo bancário na Suíça beneficiou clientes do mundo todo que buscam fraudar o fisco, lavar dinheiro sujo ou até mesmo financiar ações terroristas. O país se tornou atraente para o dinheiro de ditadores e traficantes de drogas. 

Há 30 anos, quando a União Soviética já dava sinais de que entraria em colapso, os dirigentes e oficiais de alta patente da KGB já tinham seu futuro garantido em contas na Suíça.    

Na virada do século, com a justificativa de combate ao terrorismo e ao narcotráfico, o governo norte-americano passou a exigir com mais rigor o desbloqueio de contas suspeitas.

No dia 2 de abril de 2009, após uma reunião do G20, em Londres, a Suíça foi incluída, pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), na 'lista cinza' de 38 países considerados paraísos fiscais.

O governo suíço aceitou colaborar, fornecendo informações a outros países. Mas sempre depois de uma análise criteriosa de cada caso, depois de receber pedidos específicos e com justificativa de suspeita. 

Mas vale lembrar que essas transações suspeitas não são feitas só para a Suíça. A comunidade judaica de todo o mundo envia dinheiro para Israel sem que exista um controle. Pouco depois de sua fundação, Israel se manteve com as doações vindas de judeus do mundo todo, principalmente dos Estados Unidos. Hoje, o país tem um forte desenvolvimento econômico e bélico, com um dos exércitos mais poderosos do mundo (é o 11º, de acordo com o Global Firepower Index), e uma população de apenas 8 milhões. 

A história da criação do estado de Israel e o sistema bancário suíço têm uma ligação direta. Tudo começou nos anos 1930, às vésperas da segunda guerra mundial. Com a ascensão do nazismo na Alemanha e a perseguição aos judeus, a neutra Suíça se tornou um porto seguro para guardar dinheiro e fazer transações. Em 1934, o país reconheceu o sigilo bancário através de uma emenda constitucional. 

O problema é que, como mostra esse recente escândalo envolvendo o HSBC, os bancos suíços se tornaram atraentes para a prática de lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

Com as mudanças na lei, muitos escândalos vieram à tona nos últimos anos. 

Em 2001, dados de uma conta do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf foram revelados. O Ministério Público de Genebra comunicou Brasília que naquele ano, ele retirou dos bancos da cidade dezenas de milhões de dólares e os transferiu, de acordo com o próprio ex-procurador-geral de Genebra, Bernard Bertossa, para as Ilhas Jersey onde já possuía conta. Maluf teria transferido mais de US$ 110 milhões para o paraíso fiscal.

Em 2005 um juiz da cidade suíça de Lausanne, Jacques Antenen, anunciou o confisco de 328.000 francos-suíços de três colombianos. O dinheiro estava sob controle de Victoria Henao, viúva do traficante Pablo Escobar.

E agora em 2015, dois escândalos se cruzam. O da Petrobras, investigada pela polícia federal, e o do HSBC.

Segundo informações do Blog de Fernando Rodrigues, do UOL, pelo menos 11 pessoas ligadas ou citadas nas investigações da operação lava-jato mantiveram contas na filial suíça do banco entre 2006 e 2008. 

O ex-gerente da Petrobras Pedro José Barusco Filho já havia admitido ter mantido contas no HSBC. O blog cita integrantes da família Queiroz Galvão, o empresário Júlio Faerman (ex-representante da holandesa SBM) e o doleiro Henrique Raul Srour, suspeito de integrar o grupo do doleiro Alberto Yousseff. 

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