NAS QUADRAS

Sem asteriscos: o título que uniu Nova York

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Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 15/06/2026 às 15:33

Alterado em 15/06/2026 às 15:43

A estátua da Liberdade levanta o troféu da NBA levado pelo Knicks Imagem: Pedro Rodrigues/feita com IA

Nova York é o centro do mundo. Uma cidade que recebe imigrantes de todas as partes do planeta, abriga alguns dos maiores veículos de comunicação do mundo e possui alguns dos metros quadrados mais caros do mercado imobiliário global. Para alegria de sua apaixonada torcida, a cidade voltou a ser, após 53 anos, a capital do basquete. O New York Knicks venceu, nesse sábado (13), o Jogo 5 da série contra o San Antonio Spurs por 94 a 90, fechando as Finais da NBA de 2025/26 em 4 a 1.

Novamente, foi de virada.

Depois de sofrer uma das derrotas mais dolorosas da história recente da NBA no Jogo 4 (relembre aqui), os Spurs entraram em quadra cercados por dúvidas. Como Victor Wembanyama e De'Aaron Fox reagiriam ao colapso da partida anterior? Como era de se imaginar, a atuação da dupla — e do San Antonio como um todo — foi marcada pelo nervosismo.

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Apesar de abrir 16 pontos de vantagem, o roteiro parecia pré-determinado: os Spurs construíam a liderança, Wembanyama dava sinais de desgaste físico e, aos poucos, o Knicks voltava para o jogo.
O armador do Knicks e MVP das Finais, Jalen Brunson, guardou sua melhor atuação para a partida decisiva. Foram 45 pontos fundamentais, especialmente porque seu principal companheiro, o pivô Karl-Anthony Towns, enfrentou problemas com faltas durante praticamente toda a noite.

Brunson é uma história à parte nesta série. Apesar de atuar na maior praça da NBA, está longe de ser um jogador midiático. Apenas neste ano de 2026 foi titular do All-Star Game, e raramente aparece entre os primeiros nomes lembrados quando o assunto é seleção olímpica dos Estados Unidos.

Com Brunson como âncora, a construção deste elenco seguiu um caminho pouco comum na NBA atual. Em vez de apostar prioritariamente no draft, a franquia buscou peças no mercado para formar um time competitivo. Foi exatamente o oposto do que fizeram o campeão de 2025, o Oklahoma City Thunder, e o próprio adversário desta final, o San Antonio Spurs.

O principal responsável por essa transformação é o general manager Leon Rose.

Antes de sua chegada, o Knicks era frequentemente citado como uma das maiores piadas da liga e uma das organizações mais disfuncionais do esporte profissional americano. Entre 1999 e 2020, a franquia acumulou mais derrotas do que qualquer outro time da NBA.

Rose assumiu o comando em fevereiro de 2020. Apenas seis anos depois, entregou à torcida uma campanha que culminou no primeiro título desde 1973.

Seu primeiro grande movimento foi abrir espaço salarial ao negociar a escolha número 11 do Draft de 2022 com o Oklahoma City Thunder, movimento que ajudou a viabilizar a contratação de Jalen Brunson como agente livre. Em fevereiro de 2023, aproveitou a química construída em Villanova para trazer Josh Hart em uma troca com o Portland Trail Blazers.

No fim daquele mesmo ano, enviou RJ Barrett e Immanuel Quickley — dois jogadores desenvolvidos pela própria franquia — para o Toronto Raptors em troca de OG Anunoby. No verão de 2024 veio o all-in: cinco escolhas de primeira rodada foram enviadas ao Brooklyn Nets por Mikal Bridges. Pouco depois, Karl-Anthony Towns chegou em uma negociação com o Minnesota Timberwolves que envolveu Julius Randle, Donte DiVincenzo e uma escolha de draft.

Para completar o quebra-cabeça financeiro, Brunson abriu mão de aproximadamente US$ 113 milhões em seu contrato. O banco foi reforçado com veteranos de baixo custo, como Landry Shamet e Jordan Clarkson, além do armador não draftado Jose Alvarado. Mais recentemente, Rose ainda tomou uma decisão ousada ao demitir Tom Thibodeau e apostar em Mike Brown para comandar a equipe.

 

 

O título também redimiu, ao menos por enquanto, o proprietário da franquia, James Dolan. O bilionário passou décadas em conflito com torcedores, jornalistas e até ídolos da equipe, como Charles Oakley, além de ser frequentemente acusado de interferir em decisões esportivas.

Seu discurso na cerimônia de entrega do troféu começou sob vaias. Terminou sob aplausos.
Talvez esse seja o maior triunfo deste título do New York Knicks.

Em uma era marcada pela polarização, pela necessidade constante de escolher lados e pelo questionamento cada vez mais intenso sobre a concentração de riqueza nas mãos de poucos bilionários, existe algo que une praticamente todos os nova-iorquinos: o amor pelo Knicks.

Esqueçam, por um instante, as polêmicas declarações de Timothée Chalamet. Ele é apenas mais um torcedor. O presidente dos Estados Unidos e o prefeito de Nova York têm pouquíssimas coisas em comum. Uma delas é o Knicks.

Por isso, este é um título sem asteriscos. Conquistado dentro de quadra pelo melhor time das Finais e celebrado fora dela por uma cidade inteira que, depois de mais de meio século de espera, voltou a ocupar o trono do basquete.

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