NAS QUADRAS
Reboot
Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 29/03/2026 às 09:52
Alterado em 29/03/2026 às 09:52
Luz, câmera e ação. A quadra de Led foi o grande destaque do Jogo das Estrelas 2026 Foto: Marcos-Limonti-Relance
Era por volta das 22h30 desse sábado (28) quando o comando para desligar a última tela na belíssima quadra de LED do Jogo das Estrelas do NBB foi acionado. Assim, o maior evento de marketing da Liga Nacional de Basquete se despediu do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em 2026. Naquele momento, ainda impactados por tudo que vimos dentro de quadra, chegamos à conclusão que, depois de muito tempo, é hora de repensar, seriamente, novos caminhos para o Jogo das Estrelas.
Vale aqui fazer um apanhado rápido dos últimos meses, até chegarmos à noite do último sábado. Tudo começou em 25 de março de 2025. A Liga Nacional entregou um belíssimo Jogo das Estrelas em Belo Horizonte, na Arena UniBH (relembre aqui), e tinha planos ambiciosos para 2026. Rumores indicavam que a Liga considerava cidades no Nordeste ou Brasília para levar a grande festa. Estava tudo certo para a capital federal quando surgiram entraves que causaram uma rápida mudança de curso.
Fazer em São Paulo tem todo sentido, já que é o maior mercado do País — não só de basquete — e é a casa da Liga Nacional. O problema é que São Paulo hoje não tem um ginásio à altura. As dificuldades ocorridas na edição de 2024 (relembre aqui), que a organização teve por conta do venerável ginásio, ainda estão frescas na mente. Ao olhar o cenário, ficou a pergunta: o que fazer para tentar melhorar, com base no que aconteceu nas últimas edições?
A primeira medida foi retirar da gaveta um plano antigo, de 2020, para uma edição do Jogo das Estrelas mais dinâmica e enxuta. Tudo em um dia — e não mais dois — atrelado a uma certa competitividade esportiva. Todas as atividades (3 pontos, Torneio de Habilidades, Jogo das Celebridades e Torneio de Enterradas) contavam pontos para os jogos do “Final Four” dos times Shamell (Estrangeiros), Alexey Borges (Brasil 1), Felício (Brasil 2) e Wini Silva (Jovens).

Caioka do Rio Claro voa para vencer o Campeonato de Enterradas Foto: Marcos-Limonti-Relance
O evento começou com a semifinal do Torneio de Habilidades, que se intercalou com a semifinal dos 3 pontos e, depois, um jogo entre o time Felício e o time Shamell. Não se preocupe se parece confuso — porque foi extremamente confuso. O formato também não ajudava os jogadores. Afinal, os jogadores são humanos e precisam se preparar para entregar sua melhor performance. Ao interromper atividades, as performances acabam prejudicadas (vide o Torneio de Enterradas), e a pressa compromete a criação de grandes momentos. É impossível, em um formato desses, termos algo como o jogador Anderson Rodrigues saltando sobre uma moto.
Outra mudança — a maior e melhor — foi trazer modernidade ao bom e velho Ibirapuera. De fato, a quadra de LED foi um acerto absoluto. Funcionou para quem estava no ginásio e também para quem assistia de casa. Os displays estavam belíssimos, e a identidade visual do evento funcionou muito bem.
Foram especialmente marcantes as homenagens ao técnico Cláudio Mortari, que nos deixou em dezembro de 2025, e aos 20 anos da medalha de prata da Seleção Brasileira Feminina. Para quem acompanha o basquete nacional, foi impactante e emocionante ver Hortência Marcari, Paula, Janeth Arcain, Branca, Cláudia, Alessandra, Roseli e o técnico Miguel Ângelo da Luz em quadra, enquanto imagens da conquista apareciam no piso.

Seu Jorge desfila seus sucessos e elegância no Jogo das Estrelas Foto: Marcos-Limonti-Relance
Por último, o show do intervalo. Depois de uma maratona de três horas, o público foi presenteado com um belo show do cantor Seu Jorge, que fez o certo: tocou seus maiores sucessos e levantou os presentes. Uma pena que, neste ano, não tivemos a tradicional “invasão do bem” da quadra para o show — possivelmente por conta do formato mais dinâmico e dos cuidados com o piso.
Balanço final
Está claro que o Jogo das Estrelas funciona. Ele cria momentos, serve como demonstração de força da Liga Nacional de Basquete para o mercado publicitário, e mantém o basquete em conversas relevantes. Porém, o que o Jogo das Estrelas traz para o NBB hoje? Ele cria ídolos? O público do evento passa a assistir aos jogos do NBB? Se a Liga é formada pelos clubes, por que não temos todos representados? E mais: por que não dar visibilidade a outras competições, como a Liga Ouro?
O que vem sendo feito bem, em parte, é reverenciar o passado. Mas por que não dar mais holofotes ao presente e ao futuro do NBB?
A Liga tem uma joia nas mãos, mas precisa entender que o mundo mudou. Isso passa por não ter medo de reinventar seus maiores sucessos. O catártico Jogo das Estrelas de 2017 foi único — e não vai se repetir. Ali, naquele momento, o basquete estava todo no mesmo ginásio: jogadores, técnicos, lendas, imprensa, influenciadores… todos estavam lá.
Hoje, em 2026, esse ponto de encontro de quem consome basquete é a NBA House — e o NBB não está nessa conversa. É preciso reconstruir um ecossistema saudável para quem joga, assiste e cobre o NBB. O Jogo das Estrelas pode ser essa faísca.
Daqui a dois anos, o NBB completará 20 anos. Talvez seja o momento ideal para marcar um recomeço — como um reboot hollywoodiano do Jogo das Estrelas para os próximos 20 anos.
Jogo das Estrelas 2026 - Ibirapuera
Torneio de Habilidade
Vencedor: Tico Faria - Corinthians
Torneio de 3 pontos
Vencedor: Daniel Von Haydin - Brasilia
Torneio de Enterradas
Vencedor: Caioka - Rio Claro
Vencedor Jogo das Estrelas:
Time Shamell 42 x 31 Time Winni Silva
MVP: Dontrell Brite - Bauru