'WSJ': Entre Trump e Raúl Castro, futuro do setor privado de Cuba é incerto

Matéria publicada nesta quinta-feira (12) pelo The Wall Street Journal conta que os donos de empresas privadas em Cuba, que têm lucrado com o crescente fluxo de recursos e turistas dos Estados Unidos para a ilha durante o governo do presidente Barack Obama, hoje enfrentam incertezas sobre se esse movimento — e seus ganhos obtidos com dificuldade — continuará. O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, sinalizou que ele deve revogar as iniciativas de Obama tomadas desde 2014 para reduzir o isolamento econômico do regime de Raúl Castro em relação à Washington. O próprio Castro também não vem dando aos empreendedores da ilha nenhum sinal de que pretende levar adiante as medidas que ele iniciou há seis anos para facilitar o caminho de alguns negócios no setor privado.

> > The Wall Street Journal Cuba’s Budding Private Sector Looks Nervously to Future

Segundo a reportagem um terço dos cerca de 5 milhões de trabalhadores da ilha hoje estão no setor privado, incluindo 522 mil donos de empresas, acima dos 150 mil existentes há seis anos. Muito do capital semente para essas empresas vem das remessas que cubanos e descendentes que moram nos EUA enviam para parentes na ilha, um fluxo que mais que dobrou desde que Obama assumiu, em 2009. Esses fundos somaram US$ 3,4 bilhões em 2015, o último ano de dados disponíveis — mais que o dobro do que Cuba ganhou com o total de suas exportações, de acordo com Emilio Morales, líder da consultoria Havana Consulting Group, de Miami. Para muitos dos restaurantes, pensões, salões de manicure e cafés de Cuba, o pilar da receita é formado pelos mais de 3,5 milhões de turistas que atualmente visitam a ilha todo ano. Desde 2014, um número cada vez maior desses turistas americanos vem dos EUA. No fim de 2015, Obama retirou o limite que existia dessas remessas para cidadãos cubanos, assim como o limite de dinheiro que americanos podiam levar nas visitas à ilha. Os pequenos negócios em Cuba compõem um setor frágil e suscetível a políticas dos dois lados do Estreito da Flórida.

O Journal avalia que ser um empreendedor continua sendo um desafio diário em Cuba, um país de economia fortemente controlada pelo Estado e com um governo que não olha com bons olhos para a ideia de acumulação de riqueza. Restaurantes vasculham Havana atrás de ingredientes, enquanto mecânicos fazem o mesmo em busca de autopeças. As autorizações e regulações em Cuba são restritivas, já que o governo propositadamente evita que os negócios cresçam demais. Importar produtos é algo praticamente impossível. 

E embora a abordagem do governo Trump com relação a Cuba continua uma incógnita, o aviso do presidente eleito de que ele não deve manter a mesma postura amigável do governo Obama em relação à ilha tem alimentado receios entre a emergente classe capitalista e, segundo alguns empreendedores, os investimentos já estão sendo reduzidos, finaliza The Wall Street Journal.

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