Levy: 'Mudança na equipe econômica dependerá de prioridades do governo'

No ápice dos rumores sobre sua saída do Ministério da Fazenda, Joaquim Levy se reuniu com jornalistas para café da manhã nesta sexta-feira (18) e afirmou que quaisquer mudanças na equipe econômica dependerão de o governo definir quais são suas prioridades. 

Evitando confirmar se está de saída da pasta, o economista disse não querer criar constrangimentos para a presidente Dilma Rousseff. "O ano fiscal se encerrou. Isso abre tantas alternativas. Meu objetivo não é criar nenhum tipo de constrangimento ao governo. Temos de ter clareza [sobre] qual é a prioridade nas diversas demandas do governo e da presidente. Qualquer mudança vai depender disso", declarou.

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Os jornalistas foram insistentes em buscar qualquer indício sobre sua possível saída do cargo, mas Levy se manteve firme em não confirmar ou negar a notícia. Ele se conteve em pontuar as mudanças que a equipe econômica conseguiu implementar em 2015 e seu comprometimento com reformas estruturais. 

Levy também diminuiu os efeitos da troca de ministros da Fazenda no mercado financeiro. "Tudo tem risco. As pessoas olham o risco, mas o importante é olhar o retorno. [O país] precisa manter certos rumos e concluir as reformas para não ficar parado. Acho que é isso o que estou tentando falar", opinou.

Sobre as afirmações de que ele teria adotado tom de despedida em reunião no Conselho Monetário Nacional (CMN), dizendo que não estaria na próxima reunião do órgão, o ainda ministro não negou as aspas. Ele disse apenas que os conteúdos debatidos nesses encontros são secretos. 

“Só posso dizer que hoje lembrei a alguns o que dizia meu ex-colega Pedro Malan [ministro da Fazenda de 1995 a 2002] em relação às reuniões do Conselho Monetário Nacional. Tudo o que é dito nesta sala permanece exclusivamente nesta sala. Não tenho entendimento do que vocês falaram. Vocês [jornalistas] não devem ficar exacerbando a incerteza”, acrescentou Levy.

JB já havia antecipado, no último dia 14, que importante mudança aconteceria no mercado financeiro.

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Nesta semana, o Congresso Nacional reduziu a meta de superávit primário em 2016 de 0,7% (R$ 43,8 bilhões) para 0,5% (R$ 30,5 bilhões) do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. O ministro defendia enfaticamente a meta inicial, mas o governo conseguiu reduzir o valor para evitar o corte de R$ 10 bilhões no Bolsa Família para o próximo ano.

Inicialmente, o governo tentou incluir um mecanismo para abater investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e gastos com epidemias e desastres naturais, mas um acordo de líderes na Comissão Mista de Orçamento (CMO) derrubou o dispositivo, que permitiria que o esforço fiscal fosse zerado no próximo ano. 

“Essa foi uma vitória não da Fazenda, mas do Congresso. O importante é ter meta clara. Mas é importante lembrar que a meta clara também pressupõe disposição de [o Congresso] garantir receitas necessárias [como a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] para o Executivo executar orçamento aprovado. Não dá tarefa para alguém sem dar os meios. Isso mostra a independência e o funcionamento harmônico entre os poderes”, afirmou Levy.

Nome de Barbosa se fortalece a cada indício de que Levy deixará Fazenda

O nome mais cotado para a Fazenda passa a ser o do atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, cuja proximidade e afinidade de pensamento econômico com a presidente Dilma Rousseff são conhecidos. Se a mudança se confirmar, o governo também precisará encontrar alguém para assumir a pasta de Barbosa. O diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Luiz Guilherme Schymura é uma das opções discutidas. 

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