ECONOMIA
André Lara Resende critica juros altos e propõe novo regime econômico
Por ECONOMIA JB
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Publicado em 02/11/2026 às 16:26
Alterado em 02/11/2026 às 16:26
André Lara Resende Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
André Lara Resende, um dos economistas que trabalharam na formulação do Plano Real, ganha destaque ao afirmar, em artigo no Substack, que o Banco Central contribui para o desequilíbrio fiscal do país ao manter taxas de juros muito elevadas. Em seu texto, ele sustenta que a Selic, hoje em patamar alto, seria a principal fonte de pressão sobre as contas públicas, e não apenas o gasto do governo.
O economista questiona a narrativa dominante no debate econômico, e diz que o problema está sendo tratado de forma invertida. Para ele, a discussão pública costuma focar no corte de despesas primárias, enquanto o peso do serviço da dívida é subestimado.
Dívida, déficit e gasto público
Lara Resende reconhece que o Brasil gasta mal em várias áreas, citando emendas parlamentares, vantagens do Judiciário e isenções tributárias, mas argumenta que o déficit fiscal do país é menor do que o senso comum sugere. Segundo ele, quando os juros são excluídos da conta, o resultado das contas públicas fica próximo do equilíbrio.
Na avaliação do economista, o grande problema é o déficit nominal, que é impulsionado pelos juros da dívida e tem permanecido elevado. Ele também afirma que o crescimento da dívida pública se tornou insustentável, mas reforça que o ajuste não deve se concentrar apenas nos chamados gastos primários.
Crítica ao modelo do Banco Central
O especialista também contesta a ideia de que juros altos são a única ferramenta eficaz para controlar a inflação. Ele afirma que o modelo macroeconômico tradicional perdeu força e que a relação entre desemprego e inflação não funciona mais como antes, o que colocaria em dúvida parte da estratégia adotada pelo Banco Central.
O BC, por outro lado, segue defendendo a Selic elevada como mecanismo para conter a demanda e manter os preços sob controle. Em suas comunicações, a autoridade monetária cita ainda a trajetória dos gastos públicos, o crédito direcionado e a incerteza sobre a dívida como fatores que podem pressionar a inflação.
Proposta de novo regime fiscal e monetário
Como saída, Lara Resende propõe um novo regime fiscal e monetário no país, com metas de inflação e juros definidas em conjunto e com prazo de quatro a cinco anos. Segundo ele, a taxa básica deveria permanecer em um intervalo compatível com a inflação e com o crescimento nominal da economia.
O economista também defende que o Banco Central intervenha no mercado de câmbio para evitar uma desvalorização mais intensa do real. Ele argumenta que as reservas internacionais do país, superiores a US$ 350 bilhões, dariam espaço para essa atuação sem comprometer a estabilidade financeira. (com informações da Agência Brasil)