Dólar sobe com piora do risco global e espera por dados dos EUA

Moeda americana acelerou a alta no fim do pregão e voltou a se aproximar de R$ 5,12

Por ECONOMIA JB

O dólar acelerou a alta ao longo da tarde e encerrou o pregão a R$ 5,1107, em avanço de 0,53%. Na máxima do dia, chegou a tocar R$ 5,1207. Com isso, a moeda passou a acumular valorização de 0,79% em agosto.

O movimento refletiu a piora da aversão ao risco no exterior e também ajustes de posições após dois pregões seguidos de queda firme frente ao real. No mercado global, o dólar se fortaleceu ante a maioria das moedas fortes e emergentes.

Petróleo sobe e amplia a tensão nos mercados

A escalada do petróleo contribuiu para o clima de cautela. O WTI para setembro avançou 5,05%, para US$ 82,13, enquanto o Brent para outubro subiu 4,99%, a US$ 87,72. O impasse nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz reforçou a pressão sobre os preços.

Apesar de o petróleo mais caro melhorar os termos de troca do Brasil, o efeito positivo foi ofuscado pela busca global por proteção e pelo aumento da incerteza nos mercados. Para analistas, a volatilidade da commodity reduz a previsibilidade econômica em um momento já sensível.

Fed, Selic e dados de inflação no centro das atenções

Nos Estados Unidos, o DXY renovou a máxima da sessão ao chegar a 99,829 pontos, após declarações de uma dirigente do Fed defenderem aperto monetário imediato. O mercado agora aguarda a divulgação do CPI, que pode redefinir as apostas para os próximos passos do banco central americano.

No Brasil, o real foi mais penalizado que outros emergentes pela combinação de sensibilidade política interna, dúvidas sobre o ciclo de cortes da Selic e a expectativa pela ata do Copom e pelo IPCA de julho. Segundo economistas e estrategistas, o cenário doméstico amplia a volatilidade do câmbio em meio ao ambiente externo mais defensivo.

Para parte do mercado, a leitura de inflação americana será decisiva. Se o dado vier acima do esperado, as apostas sobre novo aperto nos juros dos EUA podem voltar a ganhar força, o que tende a sustentar o dólar e manter a pressão sobre moedas como o real. (com informações da Agência Estado)