ECONOMIA
Tarifa dos EUA entra em vigor nesta quarta sobre produtos brasileiros
Por ECONOMIA JB
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Publicado em 22/07/2026 às 07:09
Alterado em 22/07/2026 às 08:23
Ministro Márcio Elias Rosa Foto: APMP/reprodução
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22), após ser apresentada pelo governo americano como uma punição por práticas comerciais consideradas desleais. A medida foi baseada em uma investigação que reuniu temas como Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a sobretaxa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques de 2024. Se considerada a pauta exportadora de 2025, o impacto cai para 15%, ou US$ 5,8 bilhões.
Lista de exceções reduz alcance da medida
Junto com o anúncio da tarifa, os Estados Unidos divulgaram uma ampla lista de isenções. Ao todo, 2.126 produtos brasileiros ficaram de fora da cobrança adicional. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) afirmou que esses itens são matérias-primas importantes e que a sobretaxa poderia provocar falta de oferta interna e perturbações na economia americana.
Entre os produtos preservados da tarifa estão café, suco de laranja e carne bovina. A decisão ameniza parte do impacto sobre setores relevantes da pauta exportadora brasileira, embora mantenha pressão sobre outros segmentos expostos ao mercado americano.
Brasil tenta responder sem retaliação imediata
O governo brasileiro considera a taxação injustificável do ponto de vista técnico, especialmente porque os Estados Unidos têm superávit no comércio com o Brasil. Ainda assim, especialistas avaliam como improvável uma retaliação equivalente por parte de Brasília, com sobretaxa direta a produtos americanos.
Após reuniões com o setor privado, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica prevê etapas antes de qualquer medida. Segundo ele, o objetivo não é retaliação, mas correção de uma injustiça por meio dos instrumentos disponíveis, no momento e na forma adequados.
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, disse que não há prazo para anúncio de resposta. Ele afirmou que o governo segue reunindo informações, dialogando com o setor produtivo e tentando, ao mesmo tempo, apoiar as empresas afetadas e reverter a decisão americana.
Nova tarifa pode ampliar pressão sobre exportadores
Além da taxa que passou a valer nesta semana, os Estados Unidos devem anunciar outra tarifa sobre produtos brasileiros no contexto de uma investigação sobre importações produzidas com trabalho análogo à escravidão. A expectativa é de que a nova alíquota seja de 12,5% e seja confirmada até sexta-feira, 24.
Lideranças empresariais avaliam que essa nova medida pode ser cumulativa às tarifas já existentes e que sua reversão será difícil, porque o alcance vai além do Brasil. Em seu relatório preliminar, o USTR indicou que a proposta envolve 59 países e também a União Europeia, sob a justificativa de que a prática restringe o comércio americano. (com informações da Agência Estado)