ECONOMIA

EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; Planalto responde com lei da reciprocidade

Medida começa a valer na próxima quarta-feira e provocou reação imediata do governo Lula

Por ECONOMIA JB
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Publicado em 16/07/2026 às 07:09

Alterado em 16/07/2026 às 08:40

O secretário Marco Rubio fez críticas políticas ao governo brasileiro e recebeu resposta imediata do Planalto Foto: Ansa

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A cobrança foi anunciada em comunicado publicado no fim da noite de quarta-feira, 15, e entra em vigor na próxima quarta-feira, 22. Segundo o governo americano, a medida é uma resposta a práticas comerciais consideradas desleais.

A decisão afeta a maior parte das importações do Brasil, mas veio acompanhada de uma lista de exceções. Entre os itens poupados estão carne bovina, café, laranja, suco de laranja, partes para fabricação de aviões, petróleo e celulose. Produtos básicos com peso na inflação americana também ficaram fora da tarifa, sob a justificativa de que não são produzidos nos Estados Unidos.

Brasil reage e promete recorrer

O governo Lula reagiu de forma dura à decisão e classificou a medida como um marco lastimável nas relações entre os dois países. Em nota, o Planalto afirmou que vai iniciar imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade.

Além disso, o Executivo informou que também retomará o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A gestão brasileira sustenta que não há justificativa para medidas unilaterais contra o país e cita dados do próprio governo americano sobre superávit de US$ 424,5 bilhões acumulado pelos EUA com o Brasil nos últimos 15 anos.

As acusações dos EUA e a disputa política

Na justificativa da tarifa, o USTR afirmou que negociações ao longo do último ano não resolveram as pendências apontadas e disse continuar aberto a conversar com o Brasil. O órgão acusa o país de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico como o Pix, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

A disputa também ganhou contornos políticos. A nota do governo brasileiro menciona a colaboração da família Bolsonaro no desfecho da investigação, enquanto o senador Flávio Bolsonaro participou de audiência em Washington e criticou o governo Lula, dizendo que as tarifas têm sido usadas para benefício político. O cenário amplia a tensão entre Brasília e Washington em meio à nova ofensiva comercial americana. (com informações da Agência Estado)

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