Jornal do Brasil

Música em Pauta

Música em Pauta

Mariana Camargo

Grande noite

Jornal do Brasil MARIANA CAMARGO, mcamargo@jb.com.br

Num ano que já trouxe excelentes concertos, a Dell’Arte marca um golaço amanhã: apresenta nada menos que o regente Kent Nagano à frente da Orquestra Sinfônica de Montreal (OSM), às 20h no Theatro Municipal. Nascido na Califórnia, Nagano é considerado um dos grandes maestros do século e desde 2006 é diretor da OSM. Quem quiser ter uma ideia da magnitude da obra do regente, dê uma olhada em sua discografia

Além de Nagano e a OSM, a escolha do repertório é perfeita: “Concerto para violino em Ré maior”, de Brahms, com a solista alemã Veronika Eberle, de apenas 30 anos, considerada uma das mais talentosas de sua geração. E o “Concerto para orquestra”, de Béla Bartók. Que bom! Pois há um vazio de apresentações de música do século XX no Rio de Janeiro. Absolutamente nada contra os barrocos, clássicos e românticos, mas tem que ter mais, muito mais: Stravinsky, Bartók, Ligeti, Boulez, Messiaen, Schoenberg, Berg, Webern e tantos mais que fizeram uma revolução na música durante o século XX.

O concerto para orquestra, de Bartók, é uma das peças espetaculares do século passado e, ao mesmo tempo, melódica o suficiente para aqueles que torcem o nariz para a música moderna. A definição de “concerto” é a de ser uma obra para orquestra com um instrumento solo (concerto para clarinete de Mozart, concerto para piano, de Beethoven, etc). Bartók justificou ter chamado assim seu concerto, mesmo sem instrumento solo, por ter escrito uma peça em que cada seção exige solos virtuosos de diferentes instrumentos. Em vez de uma sinfonia, um concerto para orquestra! A peça em cinco movimentos foi escrita em 1943 quando Bartók, já doente, não economizou em usar toda sua engenhosidade, escrevendo uma peça em que mistura formas clássicas com sonoridades modernas e sua extraordinária biblioteca com uma leitura original do folclore húngaro. O resultado é que escreveu uma de suas peças mais brilhantes, que estreou em Boston, em 1944, cerca de um ano antes de sua morte, e foi um grande sucesso imediato.

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Kent Nagano (Foto: Reprodução)

NOTAS e ACORDES

XXIII Bienal de Música Brasileira Contemporânea: foram anunciadas ontem as obras selecionadas para serem apresentadas na Bienal de Música, de 9 a 14 de novembro de 2019. A XXIII Bienal vai homenagear compositores que se tornaram referência na música brasileira contemporânea, como Edino Krieger, Ernst Mahle, Edmundo Villani-Côrtes, Kilza Setti, Maria Helena Rosas Fernandes, Sérgio de Vasconcellos Corrêa, Jocy de Oliveira, Raul do Valle, Willy Corrêa de Oliveira, Marlos Nobre e Ricardo Tacuchian.