No MAM: Rubem Valentim é tema de mostra que revisita sua trajetória artística
Exposição percorre a obra do artista baiano e destaca sua busca por uma ordem sensível, geométrica e simbólica
Rubem Valentim é um dos nomes mais importantes da arte brasileira no século 20. Em mais de quatro décadas de produção, construiu uma linguagem plástica, visual e signográfica de vocação universal, formada por composições geométricas em diálogo com matrizes culturais brasileiras, sobretudo africanas e indígenas.
Em seu Manifesto ainda que tardio, de 1976, o artista descreve a própria pesquisa como uma busca por “uma ordem sensível”, guiada pela ideia de que a geometria era um meio para alcançar “a claridade, a luz da luz”. Sua obra nasce do encontro entre emoção, estrutura e espiritualidade.
Seis núcleos, seis cidades da trajetória
A exposição é organizada em seis núcleos que correspondem às cidades que marcaram sua trajetória. O percurso começa em Salvador, onde Valentim desenvolveu suas primeiras experiências a partir da observação do cotidiano, da cultura material, dos objetos rituais das religiões de matriz africana e da arte moderna europeia.
No Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1957, sua pesquisa ganhou maior rigor construtivo e densidade simbólica, com os signos passando a funcionar como princípios organizadores. Já em Roma, o artista aprofundou a articulação vertical dos elementos e apontou para uma dimensão totêmica em sua produção.
Brasília, expansão tridimensional e novos sistemas de crença
De volta ao Brasil, Valentim se fixou em Brasília, onde ampliou sua prática para o campo tridimensional e formulou o Alfabeto Kitônico, sistema que sintetiza sua investigação sobre linguagem, cultura e construção. Nos anos finais de sua vida, entre Brasília e São Paulo, ampliou ainda mais o repertório, incorporando estudos sobre o I Ching e a ordem esotérica Rosa-Cruz.
A mostra se encerra com o Templo de Oxalá, instalação criada em 1977. Com estruturas totêmicas dispostas no espaço, a obra traduz em escala ambiental a linguagem desenvolvida por Valentim ao longo de sua carreira e reforça a força simbólica de sua produção.
A exposição Rubem Valentim: a ordem do sensível tem patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e colaboração do Museu de Arte Moderna da Bahia e do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. A mostra fica em cartaz até 2 de agosto.