Rick Azevedo, ex-balconista eleito deputado, explica como nasceu a luta contra a escala 6x1
Deputado eleito detalha a criação do VAT, a repercussão dos vídeos nas redes e a mobilização que levou a pauta ao Congresso
O Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 141/2026, que põe fim à escala de trabalho 6x1 no Brasil. A partir de dezembro deste ano, os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de descanso semanal, em vez de apenas um. A mudança também altera a jornada máxima semanal, que passa a ser de 40 horas.
A nova regra nasce da unificação de propostas que tramitavam no Legislativo havia anos. A PEC 221/2019, apresentada por Reginaldo Lopes em 2019, previa a redução da carga semanal para 36 horas, enquanto a PEC 8/2025, liderada por Erika Hilton, defendia a semana de quatro dias. O texto final consolidou o debate e chegou ao formato aprovado pelo Congresso.
Como a mobilização ganhou força
A pressão popular foi impulsionada pelo Movimento Vida Além do Trabalho, o VAT, criado por Rick Azevedo após vídeos nas redes sociais em que ele relatava a própria rotina exaustiva como balconista de farmácia. A repercussão mostrou que a experiência dele era compartilhada por milhões de brasileiros submetidos à mesma escala.
Segundo Rick, o movimento transformou um desabafo individual em pauta nacional. A articulação reuniu trabalhadores, movimentos sociais, sindicatos e parlamentares, além de mais de 3 milhões de assinaturas. A internet foi usada como ferramenta de organização e de disputa de opinião pública, ajudando a empurrar a discussão para o centro do debate político.
O impacto esperado para trabalhadores e economia
Rick Azevedo avalia que o principal efeito da mudança será devolver tempo de vida aos trabalhadores, permitindo mais convivência com a família, descanso, estudo, cuidado com a saúde e lazer. Ele afirma que a redução da jornada não deve ser vista apenas como benefício individual, mas como uma transformação social.
Na avaliação do deputado, a nova organização do trabalho também pode trazer efeitos positivos para a economia, com trabalhadores menos exaustos, mais produtivos e menor adoecimento. Setores como comércio, turismo, cultura e lazer podem se beneficiar, embora a transição precise ser acompanhada com atenção, especialmente para pequenos negócios.
Os riscos de retrocesso e os próximos passos
Apesar da conquista, Rick alerta para o risco de precarização por meio de pejotização, terceirizações abusivas e redução indireta de salários. Para ele, o fim da escala 6x1 precisa ser garantido na prática, com fiscalização forte do Ministério do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho e atuação dos sindicatos.
O deputado eleito também diz que quer construir a chamada Bancada CLT no Congresso para defender os direitos de quem vive do próprio trabalho. Sua meta é impedir retrocessos e transformar o fim da escala 6x1 em ponto de partida para uma nova geração de garantias trabalhistas no país. (com informações da Agência Brasil)