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História da jornada de trabalho no Brasil culmina no fim da escala 6x1

O levantamento reúne dados do MTE e do TST sobre a construção gradual dos direitos trabalhistas no país

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 16/10/2026 às 15:53

Alterado em 16/10/2026 às 15:53

Manifestantes contra a jornada 6x1 Agência Brasil

A promulgação da emenda constitucional que extingue a escala de seis dias de trabalho para um de descanso inaugura uma nova etapa nas relações trabalhistas no Brasil. A medida garante dois dias de descanso semanal e altera uma lógica que permaneceu por décadas em atividades como comércio e serviços.

Mais do que uma mudança pontual, a decisão se insere em uma trajetória histórica de lutas por limites à jornada, proteção social e ampliação de direitos. O novo texto constitucional reforça uma tendência de redução do tempo dedicado ao trabalho e de valorização do tempo de descanso.

As raízes da jornada de trabalho no país

Segundo dados históricos do Ministério do Trabalho e Emprego e do Tribunal Superior do Trabalho, a formação dos direitos trabalhistas brasileiros começou tardiamente. Durante cerca de 400 anos, a economia do país foi sustentada pelo trabalho escravizado, o que ajuda a explicar por que a consolidação do trabalho livre e remunerado ocorreu de maneira lenta.

No início do século 20, trabalhadores passaram a se organizar com mais força para reivindicar regras gerais de proteção. Em 1912, a Confederação Brasileira do Trabalho já defendia a jornada de oito horas diárias e a semana de seis dias, além de outras pautas como salário mínimo, indenização por acidentes e seguro obrigatório em caso de doença.

Da criação de órgãos ao avanço da legislação

Em 1918, o governo federal criou o Departamento Nacional do Trabalho, uma das primeiras estruturas estatais voltadas à regulamentação das relações de trabalho. Cinco anos depois, o Conselho Nacional do Trabalho ampliou essa institucionalização e se tornou um marco inicial da estrutura que daria origem à Justiça do Trabalho.

Na década de 1930, com a criação do Ministério do Trabalho, o processo de organização das normas trabalhistas avançou. Esse movimento resultou na instalação da Justiça do Trabalho em 1941 e na criação da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, em 1943, que reuniu e organizou a legislação existente.

Da Constituição de 1988 ao novo marco

Durante boa parte do século 20, a jornada semanal máxima prevista em lei era de 48 horas. A Constituição Federal de 1988 representou uma mudança importante ao reduzir esse limite para 44 horas semanais, mantendo o teto de oito horas diárias.

Agora, o fim da escala 6x1 amplia o descanso semanal e reconfigura a organização do trabalho em vários setores. A mudança integra uma sequência de transformações que, ao longo da história brasileira, buscaram reduzir a sobrecarga, ampliar garantias e reconhecer o direito ao tempo fora do emprego. (com informações da Agência Brasil)