Lula negocia com os EUA, mas admite reação ao tarifaço

Presidente afirma que o Brasil seguirá tentando acordo, mas pode aplicar a Lei de Reciprocidade se as conversas não avançarem

Por POLÍTICA JB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que seguirá tentando negociar com o governo dos Estados Unidos a retirada das tarifas impostas aos produtos brasileiros. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, ele disse que o Brasil não deve se limitar a esperar uma mudança de posição de Washington e precisa manter alternativas em aberto.

Lula destacou que a prioridade continua sendo o diálogo, mas deixou claro que o país pode responder caso não haja avanço. Segundo ele, a cautela é importante enquanto houver conversa na mesa, porém a Lei de Reciprocidade pode ser acionada se as tratativas não resultarem em acordo.

Possível reação brasileira

Ao comentar o tema, o presidente afirmou que o Brasil não vai permanecer parado diante das barreiras comerciais. Ele disse que o governo buscará outros mercados para comprar e vender, sinalizando que a estratégia brasileira inclui diversificação comercial e eventual reação diplomática e econômica.

A menção à Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso reforça a possibilidade de medidas contra os Estados Unidos em caso de impasse. Lula, no entanto, evitou dar um tom de confronto imediato e insistiu que qualquer decisão depende do andamento das negociações.

Tarifas e questionamentos comerciais

Os Estados Unidos mantêm em vigor um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, aplicado em 22 de julho sob a justificativa de práticas comerciais consideradas desleais. A medida veio após investigações que envolveram temas como Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.

Em 24 de julho, Trump também estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% ligada a uma apuração do Escritório do Representante de Comércio dos EUA sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. O governo brasileiro sustenta que essas medidas violam regras do comércio internacional.

Brasil leva disputa à OMC

O governo brasileiro informou à Organização Mundial do Comércio que as medidas americanas são incompatíveis com as normas do sistema multilateral de comércio. Além disso, questiona a consistência das investigações usadas para embasar as tarifas e as sobretaxas.

Lula chegou a Nova York no domingo, 20, e deve fazer o tradicional discurso do Brasil na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, 22. Até o momento, não há confirmação de um encontro bilateral com Donald Trump durante a viagem. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado)