Caso Master: conversas citam jantar de Vorcaro com Jair e Flávio Bolsonaro, diz revista
Investigadores relacionam o episódio a apurações sobre o Banco Master e a atuação de interlocutores próximos ao banqueiro
Conversa por texto entre Daniel Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro, no smartphone, indica que o dono do Banco Master temia a exposição de um possível encontro com Jair e Flávio Bolsonaro, marcado no fim de 2024. O conteúdo, obtido pela revista CartaCapital, mostra que o assunto surgiu em uma conversa por WhatsApp e rapidamente passou a ser tratado com cautela pelos interlocutores.
No diálogo, Carneiro menciona que alguém chamado Thiago cobrava uma resposta sobre um jantar com "seu xará" e com "o pai dele". Vorcaro, inicialmente, diz não entender do que se trata, mas, ao perceber a referência, responde que era melhor conversarem "antes". No dia seguinte, ele volta ao tema e pede "discrição", afirmando que o assunto não deveria ser "comentado com ninguém".
O que dizem os investigadores
Para investigadores do Caso Master, o “xará” citado na conversa seria Flávio Bolsonaro, enquanto o “pai dele” seria Jair Bolsonaro. À época, o ex-presidente não estava preso, mas já estava submetido a medidas cautelares, como a entrega do passaporte, a proibição de deixar o país e a restrição de contato com outros investigados no processo sobre a tentativa de golpe após a eleição de 2022.
As mensagens não confirmam se o jantar citado realmente ocorreu, mas reforçam a suspeita de que havia preocupação com a repercussão política do encontro. O teor da conversa sugere que Vorcaro buscava conter qualquer vazamento que pudesse associá-lo de forma mais direta ao núcleo bolsonarista citado no diálogo.
Quem é o interlocutor citado no diálogo
Segundo fontes ligadas à investigação, o “Thiago” mencionado seria o publicitário e lobista Thiago Miranda, dono da Agência MiThi e, à época, sócio do colunista Léo Dias. A sociedade foi encerrada em maio de 2026, depois que Miranda se tornou alvo da Operação Compliance Zero.
Ele também é suspeito de ter articulado o chamado “Projeto DV”, iniciativa voltada à contratação de influenciadores para questionar a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master. O caso amplia o alcance das apurações e conecta a conversa sobre o jantar a outras frentes de investigação envolvendo o banqueiro e pessoas próximas a ele. (com informações da Carta Capital)