PT pede investigação contra Flávio Bolsonaro após carta de Marco Rubio
Partido levou à PGR uma representação criminal que cita possível troca de informações sensíveis por apoio dos EUA
O PT apresentou nesta terça-feira, 30, uma representação criminal contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e pede investigação sobre possíveis crimes de corrupção passiva, crimes contra a soberania nacional e violação de sigilo funcional.
A denúncia tem como base uma carta enviada ao parlamentar pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. No texto, Rubio agradece a Flávio por colocar uma equipe de transição “à disposição” dos EUA caso seja eleito em 2026 e também elogia seu apoio à decisão do governo Trump de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
O que diz a representação
Segundo o PT, a carta indica possível tratativa direta entre o senador e autoridades norte-americanas sobre temas de interesse do Estado brasileiro. O partido sustenta que isso poderia caracterizar afronta à soberania nacional, especialmente se houver relação com acesso ou compartilhamento de informações estratégicas e sigilosas.
O documento afirma que integrantes de uma equipe de transição têm acesso a dados relevantes da administração federal e que essas informações não poderiam ser objeto de negociação com outro país. A representação também pede que a PGR apure se Flávio solicitou qualquer tipo de auxílio indevido em sua campanha eleitoral em troca da promessa de compartilhar informações sensíveis.
Pedidos feitos ao Ministério Público
Além da abertura de inquérito policial, o PT quer que sejam requisitados o inteiro teor da carta de Marco Rubio, o ofício enviado por Flávio Bolsonaro e eventuais outras comunicações entre o senador e autoridades estrangeiras. O partido também solicita apuração sobre eventual acesso do parlamentar a informações classificadas como sigilosas e se esses dados foram ou seriam repassados ao governo estrangeiro.
No início do mês, Flávio disse ter enviado a Rubio uma carta pedindo que os EUA desistissem de impor novas tarifas a produtos brasileiros. A resposta do secretário de Estado, datada de 23 de junho, manteve o tarifaço e ainda incluiu agradecimento pela agenda cumprida por Flávio em Washington no fim de maio.
Contexto político do caso
A representação surge em meio a um ambiente de tensão política envolvendo a família Bolsonaro. Em 16 de junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, ao entender que ele atuou para estimular sanções dos EUA contra autoridades brasileiras e pressionar integrantes da Corte.
Segundo a acusação da PGR, a atuação do ex-deputado buscava interferir no julgamento da trama golpista, que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e dificultar sua responsabilização. A defesa de Eduardo ainda pode recorrer da decisão.
O caso ocorre em meio a novas pressões sobre Flávio Bolsonaro, além de repercutir na investigação sobre o caso Dark Horse.
As apurações também se conectam ao ambiente político criado após a classificação de facções como organizações terroristas pelos EUA, tema explorado por aliados do senador. Outra frente citada no noticiário recente envolve a investigação sobre dinheiro do Banco Master ao filme Dark Horse, que ampliou a pressão sobre a família Bolsonaro.
Em paralelo, o nome de Flávio também apareceu em outras reportagens recentes, como a sobre mensagens que revelam pressão por pagamentos no filme sobre Bolsonaro e a apuração da PF sobre pedido de dinheiro a Vorcaro. (com informações da Agência Estado)