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Mauro Vieira afirma que EUA queriam abertura total sem contrapartida

'Rúbio é grosseiro e arrogante', disparou o chanceler, que também afirmou que 'tarifas têm motivação política'

Por POLÍTICA JB
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Publicado em 16/07/2026 às 16:09

Alterado em 16/07/2026 às 18:37

O chanceler Mauro Vieira Foto: MRE

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos tentaram impor ao Brasil uma espécie de capitulação nas negociações sobre o tarifaço. Segundo ele, a proposta norte-americana previa abertura total e irrestrita de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos do país.

Vieira disse que o governo dos EUA está incomodado porque o Brasil não se curvou às pretensões apresentadas ao longo das conversas. Nesta semana, Washington anunciou tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais, justificativa rejeitada pelo governo brasileiro.

Resposta ao secretário Marco Rubio

O chanceler também rebateu uma postagem do secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, que atribuiu a falta de acordo ao ego do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Vieira, a postura do presidente reflete a defesa da soberania brasileira e dos interesses de empresas e trabalhadores do país.

Ele afirmou ainda que Rubio distorce os fatos ao falar sobre a disposição brasileira para negociar e atacou de forma grosseira e arrogante um chefe de Estado de um país amigo. Segundo o ministro, Lula se empenhou pessoalmente na abertura de canais de diálogo em diferentes ocasiões.

Negociações e contexto político

Mauro Vieira disse que, desde março de 2025, Brasil e Estados Unidos realizaram mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone. Somente com Jamieson Green, representante comercial dos EUA, e com Marco Rubio, foram 11 contatos, incluindo encontros entre os presidentes.

O governo brasileiro sustenta que o tarifaço tem motivação política e busca pressionar o país em razão do alinhamento internacional e do contexto interno dos EUA. Vieira lembrou ainda do tarifaço de julho de 2025, quando os norte-americanos impuseram taxa de 50% sob argumento ligado ao julgamento da tentativa de golpe de Estado envolvendo Jair Bolsonaro.

Pix, desmatamento e superávit dos EUA

Ao comentar a investigação norte-americana sobre o Pix, o chanceler classificou as acusações como descabidas. Ele destacou que o sistema é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e disponível a todas as instituições que operam no Brasil, sem configurar competição desleal.

Vieira também afirmou que as críticas ao desmatamento ilegal não procedem, citando redução significativa na Amazônia e no Cerrado desde 2022. O ministro disse ainda que os EUA acumulam superávit de US$ 424 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos e que 76% das importações vindas dos EUA entraram no país sem imposto de importação em 2025. (com Informações da Agência Brasil)

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