INFORME JB
Pode ser preso. Contrariado com decisão do STF, deputado bolsonarista da Igreja Universal recorre à Embaixada dos EUA
Por INFORME JB
[email protected]
Publicado em 24/06/2026 às 15:14
Alterado em 24/06/2026 às 15:14
Sóstenes Cavalcante pertence à chamada 'bancada evangélica' do Congresso Foto: Agência Brasil
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstens Cavalcante (PL-RJ), afirmou nesta terça-feira (23) ter recorrido formalmente à embaixada dos Estados Unidos no Brasil após a repercussão de um vídeo publicado em suas redes sociais. A gravação foi alvo de determinação judicial e precisou ser retirada do ar depois de tentar associar, sem provas, o Partido dos Trabalhadores (PT) a facções criminosas.
A ordem de remoção partiu do ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora tenha criticado a decisão, Sóstens apagou o conteúdo dentro do prazo legal de 24 horas e buscou reorganizar sua versão do episódio diante da imprensa, tentando sustentar a narrativa de que apenas levantava “suspeitas”.
Recuo após decisão judicial
O caso ganhou força depois que o parlamentar foi obrigado a retirar a postagem, o que abriu espaço para uma nova ofensiva política e discursiva. Em vez de insistir publicamente no conteúdo original, o deputado passou a tratar o caso como uma divergência de interpretação, numa tentativa de reduzir o impacto jurídico de acusações que poderiam ser enquadradas como calúnia e difamação.
Segundo o texto divulgado, a reação de Sóstens faz parte de uma prática recorrente no campo bolsonarista, em que derrotas políticas ou decisões judiciais costumam ser transformadas em denúncias de perseguição. Nesse padrão, a disputa interna é frequentemente levada a autoridades estrangeiras para reforçar teses políticas no Brasil.
Estratégia de internacionalizar conflitos
O movimento de acionar a embaixada americana segue uma lógica já vista em outros episódios envolvendo integrantes da família Bolsonaro. Em situações de pressão, nomes como Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro costumam recorrer aos Estados Unidos para amplificar críticas ao governo Lula, ao PT ou ao Judiciário brasileiro.
Na prática, o gesto reforça a tentativa de dar dimensão internacional a conflitos domésticos e de usar apoio externo como ferramenta política. No caso de Sóstens, a iniciativa veio logo após o recuo imposto pela Justiça, consolidando o episódio como mais um capítulo da estratégia de confronto e vitimização explorada pelo bolsonarismo.