A concentração de terras no agronegócio brasileiro não se reflete apenas em produtividade e exportação. Em muitos casos, ela também se traduz em disputas judiciais complexas envolvendo heranças milionárias, sucessões familiares e propriedades rurais de dezenas ou até centenas de milhares de hectares.
Esses conflitos costumam se prolongar por anos, ou décadas, e envolvem tanto a divisão de grandes conglomerados do agro quanto a posse direta de fazendas avaliadas em cifras que ultrapassam bilhões de reais. Em 2026, alguns desses casos voltaram a ganhar destaque justamente pela dimensão patrimonial envolvida.
Família Maggi e a disputa pela herança do “Rei da Soja”
Um dos casos mais emblemáticos do agronegócio brasileiro envolve a família de André Maggi, fundador do grupo Amaggi e considerado um dos maiores nomes da soja no país. Sua fortuna, construída a partir da expansão da produção agrícola em larga escala, é estimada em dezenas de bilhões de reais.
A disputa ganhou novos capítulos com a reabertura de ações judiciais por parte de Karina Maggi, filha do empresário fora do casamento, que questiona a divisão de bens realizada entre os herdeiros há mais de duas décadas. O argumento central envolve suposta irregularidade na partilha da herança.
A empresa Amaggi, que hoje atua como um dos maiores conglomerados do agronegócio brasileiro e internacional, permanece no centro do conflito patrimonial familiar, que se arrasta no Judiciário com diferentes desdobramentos ao longo dos anos.
Fazenda Cocal e disputa envolvendo o grupo Maggi em Mato Grosso
Outro episódio relevante ligado à mesma família envolve a Fazenda Cocal, uma propriedade rural de aproximadamente 37 mil hectares localizada em Mato Grosso e avaliada em cerca de R$ 2 bilhões.
O caso passou por diferentes decisões judiciais ao longo dos anos, envolvendo disputas sobre venda, posse e administração da área. Em decisão mais recente, o Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu a legalidade da negociação e devolveu o controle da fazenda ao grupo ligado ao empresário Eraí Maggi, primo do ex-ministro Blairo Maggi.
Fazenda Santa Maria e a batalha judicial de 45 anos na Bahia
Na Bahia, a Fazenda Santa Maria, com cerca de 382 mil hectares, ficou marcada por uma disputa judicial que se estendeu por aproximadamente 45 anos.
O conflito envolveu contestação de posse e tentativa de usucapião, até que decisões recentes consolidaram a retomada da propriedade pela família original. O caso é considerado um dos mais longos litígios fundiários envolvendo grandes extensões de terra no país.
Fazenda de R$ 1,2 bilhão no Piauí entra em disputa de mercado e sucessão
No Matopiba, região estratégica do agronegócio brasileiro, uma fazenda de 176 mil hectares entre Aroazes e Santa Cruz dos Milagres, no Piauí, ganhou destaque ao ser avaliada em cerca de R$ 1,2 bilhão.
Embora não envolva diretamente uma disputa judicial consolidada, o valor elevado e o perfil da propriedade colocam o ativo em um cenário de de possível negociação familiar futura.
Fazenda em Goiás envolve disputa de 15 anos e potencial mineral
Em Santa Terezinha de Goiás, uma fazenda de 716 hectares avaliada em aproximadamente R$ 40 milhões permanece no centro de uma disputa judicial que já dura mais de 15 anos.
O conflito envolve alegações de inadimplência. Local ainda se destaca pelo potencial mineral, que pode incluir jazidas de esmeraldas, fator que aumenta significativamente o valor econômico da propriedade.
Fazenda Nova Piratininga e os reflexos da falência da VASP
Uma das maiores propriedades rurais do Brasil, a Fazenda Nova Piratininga, em Goiás, com cerca de 200 mil hectares, também já esteve envolvida em disputas judiciais relacionadas à falência da VASP.
O caso envolve credores e ex-funcionários que chegaram a reivindicar direitos sobre ativos ligados à empresa aérea, e, chegaram até a ter direito na propriedade antes de ela ser vendida em leilão por R$ 430 milhões em 2010. O valor deveria ser utilizado para pagar parte da dívida trabalhista deixada pela empresa.





