Quando se fala em grandes hortas urbanas no Brasil, muitos projetos do Rio de Janeiro costumam ganhar destaque nacional. No entanto, a maior iniciativa do país está localizada longe dos holofotes mais tradicionais. Em Teresina, no Piauí, a Horta Comunitária do Grande Dirceu ocupa uma área de 27 hectares e garante sustento para mais de 410 famílias que vivem da produção agrícola dentro da capital piauiense. Vem com a gente e saiba mais sobre o projeto!
Ele existe desde 1987 e se consolidou como uma das maiores experiências de agricultura comunitária da América Latina. O funcionamento da estrutura segue uma lógica de divisão produtiva: cada família trabalha em lotes individuais dentro da área coletiva, cultivando hortaliças, verduras e outros alimentos que abastecem feiras, mercados e consumidores da própria cidade.
Estrutura da horta transformou agricultura em fonte de renda urbana
A dimensão da área cultivada impressiona principalmente por estar inserida em uma região urbana. Os 27 hectares da horta equivalem a aproximadamente 38 campos de futebol, número que coloca o projeto muito acima de outras iniciativas famosas do país. Para efeito de comparação, a conhecida Horta de Manguinhos, no Rio de Janeiro, possui cerca de 3 hectares.
Esse modelo ajuda a explicar por que a iniciativa se tornou tão relevante para a economia local. Diferente de pequenas hortas comunitárias voltadas apenas ao consumo próprio, o projeto do Grande Dirceu opera como um verdadeiro cinturão produtivo dentro da cidade.
Além da geração de renda, o sistema também cria impacto direto na segurança alimentar. Isso porque parte significativa das hortaliças consumidas em Teresina sai da produção desenvolvida pelas famílias agricultoras da região.
Vale destacar que o funcionamento da agricultura urbana ganhou ainda mais importância nos últimos anos por causa do aumento no preço dos alimentos e da necessidade de ampliar cadeias locais de abastecimento.
Projeto se tornou referência em agricultura comunitária
Outro ponto importante é que a horta do Grande Dirceu não atua apenas como espaço de plantio. Ao longo das décadas, a iniciativa passou a funcionar também como mecanismo de inclusão social e desenvolvimento comunitário.
Segundo informações divulgadas sobre o projeto, grande parte dos trabalhadores da área é formada por idosos e mulheres, que encontraram na agricultura uma alternativa permanente de renda e ocupação produtiva.
O modelo chama atenção justamente por unir três fatores que normalmente aparecem separados em grandes cidades:
- produção de alimentos;
- geração de emprego;
- preservação de áreas verdes urbanas.
Na prática, isso transforma a horta em uma espécie de infraestrutura agrícola dentro do ambiente urbano.
Esse tipo de iniciativa também reduz custos logísticos. Como os alimentos são produzidos perto dos centros consumidores, existe menor dependência de transporte de longa distância, o que ajuda a manter produtos mais frescos e reduzir desperdícios.
Reconhecimento internacional ampliou visibilidade da iniciativa
A relevância do projeto fez a horta comunitária receber reconhecimento internacional. Um projeto de requalificação da área desenvolvido pela Prefeitura de Teresina chegou a ser premiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), justamente por integrar mobilidade urbana, agricultura comunitária e sustentabilidade ambiental.
O funcionamento dessa estratégia urbana segue uma tendência observada em grandes cidades ao redor do mundo: utilizar agricultura comunitária como ferramenta de desenvolvimento social e reorganização de espaços urbanos.
Além da produção agrícola, o plano prevê melhorias estruturais no entorno da horta, incluindo áreas para pedestres, ciclovias e reorganização da mobilidade local.





