O Mato Grosso segue no topo da pecuária brasileira. O estado concentra 32,9 milhões de cabeças de gado, o equivalente a 13,8% de todo o rebanho nacional, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que o Brasil fechou 2024 com 238,2 milhões de bovinos, uma queda de 0,2% em relação ao ano anterior. Apesar da retração, o número representa o segundo maior valor desde que a série histórica foi registrada, em 1974.
Por que o rebanho caiu?
O recorde de abate registrado em 2024 explica boa parte dessa retração. Foram abatidos 39,7 milhões de cabeças ao longo do ano, com destaque para fêmeas e novilhas. Segundo Mariana Oliveira, pesquisadora do IBGE, o movimento faz parte de um “ciclo natural” do setor.
“A queda de bovinos ocorre em função do ciclo pecuário. Há alguns anos, o abate de fêmeas está elevado, em função dos preços do bezerro e da arroba, que desestimularam a retenção de fêmeas para reprodução. Sendo assim, era esperada uma redução no rebanho”, explicou.
Ranking dos estados com maior rebanho bovino
Atrás do Mato Grosso, o Pará aparece em segundo lugar com 25,6 milhões de cabeças (10,7% do total). Foi o único entre os cinco maiores a registrar crescimento, com alta de 2,1%. O estado é seguido por Goiás, com 23,2 milhões (9,7%), Minas Gerais, com 22 milhões (9,3%), e Mato Grosso do Sul, com 18,7 milhões (7,9%).
Juntos, esses cinco estados concentram mais da metade do gado brasileiro.
O Mato Grosso do Sul, por sua vez, registrou retração de 0,8% em relação a 2023. O estado acumula uma perda de mais de dois milhões de cabeças desde 2013, quando chegou a contar com 21 milhões de cabeças. O movimento reflete ajustes no mercado e mudanças nas áreas de pastagem.
Entre os municípios, dois lideram
No ranking municipal, São Félix do Xingu (PA) ocupa o topo desde 2014. O município paraense registrou 2,52 milhões de cabeças em 2024, o que representa 1,1% do rebanho nacional e 10% do efetivo total do Pará.
Com pouco mais de 65 mil habitantes, São Félix do Xingu ocupa um território maior do que o de países como a Costa Rica e a Holanda. A agropecuária responde por 46,6% do PIB local, que, em 2024, atingiu R$ 2 bilhões.
Em segundo lugar entre os municípios, Corumbá (MS) registrou 2,2 milhões de cabeças, o que corresponde a 11,7% do rebanho do estado. Conhecida como a capital do Pantanal, a cidade concentra 60% do território pantaneiro e movimenta um PIB de R$ 2 bilhões.
Na sequência, aparecem Porto Velho (RO), com 1,79 milhão, Cáceres (MT), com 1,36 milhão, e Marabá (PA), com 1,29 milhão. Somados, esses cinco municípios reúnem 9,2 milhões de animais, o que corresponde a 3,9% do total nacional.
Agronegócio move economia do Centro-Oeste
Mesmo com a queda no rebanho, o agronegócio segue como principal motor da economia sul-mato-grossense. Entre 2002 e 2021, o PIB da agropecuária no estado cresceu 768%, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).
Na exportação, o Estado apresenta um desempenho expressivo. Entre janeiro e setembro de 2025, as exportações somaram US$ 8,18 bilhões, com a carne bovina entre os principais produtos. O secretário estadual Jaime Verruck destacou que o resultado evidencia a competitividade do agronegócio regional, mesmo em meio às incertezas do comércio internacional.





