Já pensou estar no trânsito, olhar para o lado e ver Luciano Hang, dono da Havan, em um carro da Fiat fabricado no Brasil em 1979? Saiba que essa possibilidade existe, pois o empresário conta com um Fiat 147 de 1979 em sua garagem.
O veículo do magnata brasileiro tem grande valor sentimental para ele, pois foi o primeiro automóvel que adquiriu no início de sua trajetória profissional. Por isso, o dono da Havan mantém o veículo em sua garagem como uma forma de lembrar da fase na qual trabalhava muito e tinha pouco dinheiro.
Conheça o Fiat 147
Durante décadas, o Fiat 147 deixou de ser apenas um carro compacto popular para se transformar em um dos modelos mais simbólicos da indústria automotiva brasileira. Lançado nos anos 1970, o veículo ganhou protagonismo histórico em 1979 ao se tornar o primeiro automóvel movido a álcool produzido em série no mundo, antecipando uma tecnologia que décadas depois ajudaria a consolidar os atuais motores flex no Brasil.
O modelo ficou conhecido não apenas pelo pioneirismo, mas também pelas características mecânicas e estruturais que marcaram uma geração de motoristas brasileiros.
Fiat conseguiu transformar o 147 em um laboratório de engenharia automotiva nacional. O compacto utilizava um motor 1.3 de quatro cilindros com cerca de 70 cv de potência e torque de 11,5 kgfm, números considerados competitivos para um carro urbano compacto naquele período.
Dimensões compactas ajudaram a popularizar o modelo
O Fiat 147 tinha proposta claramente urbana. O carro media pouco mais de 3,6 metros de comprimento e pesava aproximadamente 790 kg, combinação que favorecia agilidade no trânsito e baixo consumo para os padrões da época.
Mesmo compacto, o modelo apresentava soluções consideradas modernas no fim dos anos 1970, incluindo tração dianteira, motor transversal, estrutura monobloco e suspensão independente.
Esse conjunto ajudava o veículo a oferecer comportamento dinâmico diferente de muitos concorrentes nacionais, que ainda utilizavam arquiteturas mais antigas.
“Cachacinha”: o apelido curioso do Fiat 147
Uma das características mais lembradas do Fiat 147 a álcool era o cheiro emitido pelo escapamento. O odor semelhante ao de bebidas alcoólicas fez o modelo receber o apelido de “Cachacinha”, nome que acabou entrando para a cultura popular automotiva brasileira.
Além disso, o carro também ficou marcado pelas dificuldades típicas dos primeiros motores a álcool. Em dias frios, por exemplo, a partida costumava exigir mais esforço do motorista, situação bastante comum antes da evolução dos sistemas de injeção eletrônica e partida a frio.
O funcionamento ainda dependia de carburador, afogador manual e ajustes mecânicos frequentes, algo normal para os carros produzidos naquele período.





