O trânsito na terra de Arariboia

Em contraste com o que ocorre no Rio, do outro lado da baía, pratica-se a ciência do controle do trânsito, observando as leis  e estabelecendo-se uma política de ação. A que se deve isto?

Muito simples: colocaram no comando do trânsito um profissional experiente e entusiasta do assunto, como não podia deixar de ser um oficial superior da Polícia  Militar, com conhecimento teórico e prático desta superfunção urbana. Fizeram mais, entregaram o planejamento conjunto com a Secretaria de Urbanismo, tendo à sua frente uma urbanista profissional, com conceito e experiência internacional.

Tive a honra de ser lembrado e convidado a proferir a palestra de encerramento dos eventos da Semana do Trânsito, conforme determina o Código de Trânsito  Brasileiro, e que teve como tema Aprender, respeitar, agir. Assim, construímos um trânsito melhor. Não satisfeitos em me convidarem, distribuíram grande quantidade de meu livro Trânsito brasileiro e seu novo código, em encomenda direta à editora. Com esta medida, esperam diminuir a ignorância das regras que regulamentam o trânsito, principal motivo dos acidentes urbanos.

Todos os cargos mais importantes do órgão municipal de trânsito estão entregues a oficiais superiores, com larga experiência, da reserva  da Policia Militar. O presidente da Nittrans, que engloba toda a responsabilidade da operação e do planejamento de trânsito, é o subsecretário de Trânsito e Transporte. Repete em Niterói, graças ao seu prestigio profissional, o que conseguiu no Rio, quando foi secretário de Trânsito no governo do prefeito Luiz Paulo Conde, que, por ser urbanista, sabia das coisas.

Se ainda não adivinharam quem é o santo que está tentando operar o milagre de equacionar o trânsito da “cidade sorriso”, conservando a humildade de não ser o dono da verdade mas um profissional da lei, aí vai o nome dele: coronel PM Paulo Afonso Cunha, meu ex-tenente, quando andei no poder, nas décadas de 60 e 70 do século que passou. Nunca escondi que, se tive sucesso nas minhas gestões no Detran, devo em  primeiro lugar à minha excelente engenharia de Gerardo Penna Firme e ao excelente policiamento dos colegas da PM, ao ter a visão de entregar este comando a um oficial superior daquela organização centenária, o saudoso major Aldemir Costa Pereira, que saquei da função de oficial de operações do Batalhão de Trânsito, hoje extinto.

Não posso admitir policiamento de trânsito sem o dedo do policial militar. Aliás, quem diz isto não sou eu só. Sir Alker Tripp, oficial da Scotland Yard, diretor de trânsito de Londres, na década 30, autor do melhor livro sobre a ciência do controle de trânsito, em 1936, já defendia esta tese, a da importância do policial experimentado para dirigir o trânsito.

Graças à experiência que vivi, passei a definir o trânsito equacionado como aquele que tem a sua eficaz engenharia policiada por um não menos eficaz policiamento.

A educação deve ser dada intensamente às crianças e aos jovens. Também neste setor convocaram uma profissional de alto nível, poliglota, com vivência internacional, para cuidar do assunto. Vejo que a terra de Arariboia está no rumo certo para chegar ao porto seguro do dever cumprido. O tema de minha palestra foi Impactos do trânsito na qualidade de vida das pessoas, muito bem recebido pela carinhosa audiência.

Ao enviar um e-mail de agradecimento ao coronel Paulo Afonso, que me permitiu voltar ao contato com a comunidade do trânsito, enviei-lhe uma bela parábola de autoria de Gandhi, o grande espírito que presenteio também a meus fieis leitores de tantos anos, como fecho deste artigo cheio de gratidão.

Ei-la:

O caminho para a felicidade não é reto

Existem curvas chamadas EQUÍVOCOS

Existem semáforos chamados AMIGOS

Luzes de cautela chamadas FAMÍLIA

e

Tudo se consegue se tens um estepe chamado DECISÃO

Um motor poderoso chamado AMOR

Um bom seguro chamado FÉ

Combustível abundante chamado PACIÊNCIA

Mas, acima de tudo, um motorista habilidoso chamado DEUS! 

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - [email protected]