Operação quebra-galho, um sucesso!

O título é inédito para todos, inclusive para a CET-Rio, que eu escolheria para Operação Leblon, cujo desvio de tráfego permitirá as obras do metrô naquele bairro. E escolheria um título chamativo, como sempre fiz, quando na chefia do trânsito, a fim provocar a curiosidade do leitor e futura vítima das alterações previstas, e sempre precárias.

Foi assim que as operações que realizei chamaram-se Saca-Rolha, para desobstruir o engarrafamento crônico da construção de um viaduto no conjunto, ali na Praça da Bandeira, início da Avenida Presidente Vargas; Bambolê, para fazer o tráfego girar, em mão única, em torno do Túnel do Pasmado; Odalisca, para acomodar, no Mourisco, a grande obra de regularização do Rio Carioca; Gato e Rato, para o uso de reboques em combate ao estacionamento indevido; Arrastão, para obrigar os táxis a colherem passageiros do lado esquerdo das vias de mão única, por onde circulavam ônibus, de fato acelerando e, de muito, o escoamento e o número de veículos circulantes; Conta-Gotas, onde se permitia a entrada dos carros, sem pagar, no estacionamento interno que havia no estádio do Maracanã, e onde hoje fica o parque aquático, cobrando só na saída dificultando-a e facilitando o enorme fluxo externo de público, carrocinhas de vendas diversas e do tráfego de passagem; Normalista, para aliviar o escoamento do tráfego de passagem pela Rua Mariz e Barros, e sua  área de influência, etc.

Como veem, nem todos os nomes indicavam do que se tratava mas motivavam a curiosidade dos leitores. Talvez, quem sabe, já fosse a minha vocação de jornalista articulista ou cronista, como preferirem.

O que se fez no Leblon atendeu a todas as leis de hidráulica, que comandam também o escoamento do tráfego. Previ o seu sucesso, embora contrariando o aconselhamento da Assessoria de Imprensa da CET-Rio, que me recomendava cautela, e apostei no que vi de providências, apenas temeroso do escoamento dos ônibus, recomendando a redução de seu volume, o que se conseguiu eliminando as vans, fator de perturbação por se comportarem, no tráfego, como se fossem táxis, parando em qualquer lugar. Esta providência foi fundamental para o sucesso obtido, ainda cumprindo a lei da hidráulica, que sempre recomenda a separação de fluxos de densidades diferentes para se conseguir um melhor escoamento.

Infelizmente, não se conseguiu a divulgação pela televisão da planta local animada mostrando como era e como iria ficar. Só pela divulgação no jornal, muita gente não leu e depois ainda reclamou.

O fato de, no seu segundo dia, não haver funcionado tão bem não condena o esquema — aliás o único possível — e se deveu à chuva e a um carro que se incendiou, tumultuando o local. No mundo inteiro, quando chove, o tráfego fica pior, não apenas no Leblon. Em todo o Rio, principalmente na saída da Barra, ele é difícil, todos os dias, face ao excesso de carros somente com seu condutor, impunemente, nas horas de pico.

Prudentemente, o secretário Carlos Roberto Osório declarou que o esquema ainda está sujeito a reajustes, como eu havia escrito, no artigo em que dei uma de vidente: quando se interrompe o abastecimento de água, restringe-se  ao máximo o consumo para depois  se ir relaxando.

Quanto à maior reclamação dos usuários da distância entre os pontos de parada de ônibus, na orla, eles devem ser em menor número possível, e o seu espaçamento, segundo as normas de urbanismo, não pode exceder 700 metros. Pelo que vi, está correto o escalonamento.

Agora é ter paciência, cooperar e torcer para que a obra do metrô, que provocou este transtorno, não atrase.Que este sucesso consiga, do habitante do Rio um crédito de confiança para a sua CET  nas futuras alterações, que, espero, ainda venham, de iniciativa própria, não para atender a emergências mas em prol da melhoria da mobilidade urbana, como a adoção do sistema URV, por exemplo.

 

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - [email protected]