Conversando com Thiago Regotto: novidades na Rádio MEC

Hoje a conversa é com o atual Coordenador de Conteúdo e Programação da Rádio MEC FM,o jornalista e produtor Thiago Regotto.

Falar de Rádio MEC é falar de uma vida,onde músicos e produtores,uns bem célebres,tiveram como objetivo comum,dar vida e emprestar suas vozes e seus conhecimentos, através dos vários programas que no passado fizeram e contribuíram para a Rádio MEC se tornar a única, a mais glamurosa rádio do Brasil. Da mesma forma não pode ser esquecido o  elenco de músicos de extrema excelência que fizeram gravações e deixaram seus depoimentos de uma forma generosa para a posteridade, contribuindo,portanto, para a memória cultural da instituição. Não podemos esquecer a exuberância da Rádio Cultura de São Paulo, mas a Rádio MEC, tem um algo mais que seduz o ouvinte pelo longo caminho que percorreu,várias vêzes quase acabando, mas o carisma dessa emissora é tão forte que mais uma vez ela sobrevive, e esperamos que dessa vez seja para sempre. E para a informação desse novo leque de ações, ninguém melhor para contar e adiantar o que os leitores querem tanto saber, e a coluna dá em primeira mão,através da nossa conversa com Thiago Regotto.

Thiago vamos falar em ventos bem positivos sobre a Rádio MEC,uma rádio importante no cenário musical do Brasil,tendo acolhido personalidades altamente expressivas em seu elenco de programadores,apresentadores e parceiros. Após uma turbulência existe uma boa notícia com a inauguração dos novos estúdios. Eles serão para a nova Rádio MEC com novo local? 

Os novos estúdios permitem que possamos voltar a fazer música ao vivo dentro da rádio. Eles se somam aos estúdios da sede original da MEC fechada para reforma, mas que estão em operação na Gomes Freire, nosso atual endereço, junto da Rádio Nacional, TV Brasil e Agência Brasil. São sete novos espaços e dois deles equipados com pianos de cauda. Não podemos ficar e não estamos parados enquanto aguardamos as obras. Inauguramos os novos estúdios no final do ano passado e já fizemos duas apresentações ao vivo. A ideia é que possamos abrir sempre o microfone para todos que passarem pela emissora, gravando ou colocando no ar ao vivo. Programas como o Momento de Jazz, por exemplo, já tem agenda para gravações no estúdio. 

A Rádio MEC é uma das únicas opções atualmente no país,onde se pode ouvir música clássica durante 24 horas,abrangendo inclusive um público de vários setores da sociedade. Vários taxistas,por exemplo, ouvem a rádio,e pelas perguntas que fazemos eles gostam mesmo,ponto aliás muito positivo para a formação de uma platéia sonora, o que é um fato. Achamos que ainda faltam mais programas com um alto nível de conteúdo ,isto é, repertório com obras diferenciadas e produtores indiscutíveis. Ainda veremos isso? 

Pensamos em conteúdo novo 24 horas por dia. O rádio é um veículo muito vivo. Buscamos parcerias com renomadas instituições no Brasil, como OSESP e OSB, para renovar repertório. Temos parceria internacional com a EBU - União Européia de Rádios e TVs Públicas, entidade que reúne a BBC, RTP e Deutsche Welle, por exemplo, e que nos enviam gravações atuais com o que há de melhor e mais atual da música clássica pelo mundo. Além disso, estamos investindo muito na produção própria, na produção independente e na coprodução. Um espaço para a entrada de novas ideias e nomes, por exemplo, é o Banco de Projetos, disponível no portal da EBC em www.ebc.com.br. Por este canal recebemos propostas de novos programas que podem se somar aos nomes que temos na rádio, como Tim Rescala assinando uma série de música clássica para crianças, o Blim-blem-Blom, Nelson Tolipan com o Momento de Jazz, Arrigo Barnabé com o Supertônica, João Marcos Coelho no O Que há de Novo, Tárik de Souza no Bossamoderna e Rodrigo Cicchell com o Eletroacústicas, por exemplo.

Quais são as novidades para um futuro breve? 

A primeira novidade já chega neste primeiro semestre de 2015: a MEC FM troca de frequência - vai de 98,9 para 99,3. Esta é uma determinação antiga da Anatel e que também irá melhorar o nosso sinal, diminuindo a quantidade de interferências. Outra novidade é a transmissão ao vivo e a cobertura dos principais festivais de música do país. O primeiro será o Festival Amazonas de Ópera. Faremos ainda a Bienal da Funarte, o Festival Villa-Lobos e o Mimo. Os ouvintes da MEC também terão a oportunidade de ouvir neste ano o projeto "Artista do mês", no qual um compositor ou intérprete terá sua música tocada todos os dias na programação da rádio. 

A Rádio MEC FM integra desde 2007 o projeto de comunicação pública federal capitaneado pela EBC. Isto significa que a história da Rádio MEC se soma a uma nova tentativa de se fortalecer um outro tipo de comunicação no País, diferente da hegemônica mídia comercial. Digo de novo, porque já em 1923, quando o antropólogo Edgar Roquette-Pinto cria a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, dando as bases para a futura Rádio MEC (após doação em 1936), ele inaugura no país um novo modelo de comunicação, o rádio, e um segmento da comunicação, o educativo-cultural. Os anos se passaram e hoje a linha editorial aprovada no Conselho Curador da EBC é que a Rádio MEC FM é uma emissora musical, com foco na música de concerto. Nesta mesma linha, a Rádio MEC AM fica como uma rádio educativa e a Rádio Nacional como uma rádio dedicada a informação e ao esporte. Cada rádio busca o melhor no seu segmento de programação e a MEC FM segue clássica como sempre! 

Muito obrigada pela conversa, Thiago Regotto.