Conversando com o pianista Arnaldo Cohen

A coluna conversa com um dos maiores pianistas brasileiros da atualidade, que é Arnaldo Cohen, dono de uma técnica invejável e de um som dourado, que sempre o diferenciou dos outros pianistas. Estudou engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, é violinista dos bons, mas foi o piano o instrumento escolhido para passar toda a sua vida, levando o artista aos palcos dos cinco continentes e apresentando-se como solista das mais importantes orquestras do mundo.  Fantástico pianista, estudou no Brasil com o saudoso pianista Jacques Klein, seu principal mentor, seguindo para Viena, onde fez seu aperfeiçoamento com Bruno Seidlhofer e Dieter Weber. Como professor, ensinou na Royal Academy of  Music e no Royal Northern College, em Londres , e atualmente é professor da Universidade de Indiana, em Bloomington, nos Estados Unidos, onde mora com sua mulher, a linda Karina. Fizemos contato com Cohen, nos Estados Unidos, e  passamos para vocês os pensamentos do ilustre pianista que tanto encanta as plateias, sempre repletas de seus inúmeros admiradores.

O Brasil tinha uma tradição de exportar pianistas maravilhosos,vários deles foram, inclusive, primeiros prêmios em concursos internacionais de piano, como foi por exemplo o seu caso, vencendo o Concurso Internacional de Piano Ferruccio Busoni, em Bolzano, na  Itália. Há mais de uma década não vemos pianistas brasileiros ganhando, por exemplo, certames internacionais de piano, como o Van Cliburn, nos Estados Unidos, o Leeds, na Inglaterra, o Tchaikovsky, em Moscou, o Santander, na Espanha, o Rubinstein, em Israel, para citar apenas alguns célebres eventos. O que está acontecendo com a nova geração de pianistas brasileiros?

Um dos grandes problemas do Brasil é o afastamento da cultura em relação à educação, quando as duas deveriam caminhar juntas. Não adianta sermos a sétima economia do mundo e estarmos no final da fila no quesito educação. Os livros de história ensinam a importância da cultura na formação de qualquer povo civilizado. E sem líderes que compartilhem dessa visão, torna-se inviável a formação de uma nova geração de artistas ou cientistas. Soma-se a isso uma acirrada concorrência de jovens de todo o mundo – sobretudo asiáticos – disputando um mercado, cada dia mais restrito. Para emergir das sombras, o jovem brasileiro poderá contar somente com o próprio talento e esforço pessoal. Pode até acontecer… 

A sua experiência como professor, tanto na Royal Academy of Music, em Londres, quanto na Universidade de Indiana, uma das três maiores escolas de músicas dos Estados Unidos, não lhe fazem sentir a vontade de voltar ao Brasil, para formar sua classe de pianistas?

Sempre tive vontade de trabalhar no meu país, que adoro, e junto a talentosos pianistas brasileiros. Muito já foi conversado sobre essa possibilidade, mas infelizmente a burocracia verde-amarela mostra-se, a cada dia, mais “invencível”. 

Seus concertos são sucessos garantidos. Fato, aliás, comprovado em suas últimas visitas ao Rio de Janeiro, tocando com orquestra. Está nos seus planos um recital, em 2013, na cidade? 

Não tenho nada agendado.

Obrigada pela conversa.