Super festival em Jaraguá do Sul

A cidade de Jaraguá do Sul é a quarta economia de Santa Catarina e está realizando pelo sétimo ano o Festival de Música de Santa Catarina, o Femusc, que tornou-se um modelo super expressivo de evento. São 200 apresentações, seminários, aulas e masters classes que, durante 14 dias, fazem a cidade respirar música. Estudantes andando pelas ruas com seus instrumentos, restaurantes lotados após os concertos, uma verdadeira festa no sul do país que recebe, além de brasileiros, claro, estudantes de 18 países, sendo um verdadeiro festival-escola, desde os pequenos músicos, crianças que adoram estudar música, aos de nível adiantado e mais desenvolvidos, jovens que já podem sonhar com uma carreira como membros de uma orquestra profissional. Milagre? Não.

O Femusc oferece vagas, como em todo festival, mas o diferencial é que os próprios alunos garantem suas vagas. Podem ser iniciantes e suas inscrições são aceitas estritamente na ordem de chegada, isto é, quem envia primeiro entra, não importando a qualidade da gravação nem carta de recomendação. Fato inédito no Brasil. O país tem uma dimensão continental e, infelizmente, o ensino da música ainda é muito desigual. Isso quer dizer que no interior podem existir vários talentos que crescem bem longe dos grandes centros e, possivelmente, nunca teriam a possibilidade de participar de um grande festival, sobretudo porque nunca teriam gravações de boa qualidade, como pré-requisito para o envio das inscrições em festivais de música. 

Essa é a grande diferença do Femusc, oferecendo a oportunidade para que alunos menos favorecidos possam estar junto de seus colegas de níveis mais adiantados. Outro diferencial, bem interessante, é ter o festival Quatro Quartetos de Cordas residentes, sendo que cada conjunto tem sua própria sala de aula, para exclusivas cinco horas de aulas. Os professores e músicos dos quartetos não participam das orquestras do festival, e o tempo é inteiramente dedicado ao desenvolvimento dos alunos. O maestro Alex Klein, que foi o principal oboísta da Orquestra Sinfônica de Chicago, e atualmente também é o regente titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba, é o grande diretor artístico desse modelo de festival, que teve nos últimos dois dias, dois concertos de gala recebendo dois ícones da música brasileira, o pianista João Carlos Martins e o maestro Marlos Nobre, com apresentações lotadas no Grande Teatro da SCAR, Sociedade Cultura Artística da cidade, passando quase uma hora dando autógrafos e atendendo os alunos, com a excitação mental que um festival desse porte transmite. 

Os professores são altamente renomados, vindos de todas as partes do planeta, incluindo, claro, brasileiros expressivos como o oboísta Luis Carlos Justi, o clarinetista Cristiano Alves, o violoncelista Watson Clis, o violinista Daniel Guedes assim como, por exemplo, o violinista Leon Spirer da Orquestra Filarmônica de Berlim a violista Clara Takarabe da Orquestra Sinfônica de Chicago.

O festival pode ser, sim, qualificado como um evento de primeiro mundo, com sua impecável organização, pontualidade nos eventos e com a sensação, aliás, muito rara, de se sentir a energia positiva, a generosidade cultural além da mais sensível generosidade social que só faz engrandecer o país como um exemplo a ser copiado.

O BRAVO incondicional da coluna ao Femusc.