Crítica: Ópera 'O amor das três laranjas'

A coluna dá os parabéns ao Maestro Isaac Karabtchevsky, que liderou de maneira extremamente competente a regência da orquestra impecável e dos solistas.

O espetáculo tem uma energia fascinante, prende mesmo o público e pode ser traduzido como um evento de alto nível onde a direção cênica de Alberto Renault merece nosso bravo e nosso aplauso, pela precisão e profissionalismo.

A coreografia de Márcia Milhazes é encantadora ,mas os figurinos e adereços de Isabela Capeto merecem o bravo da coluna para sempre. Figurinos belíssimos, elegantes, dando a impressão de serem super práticos na hora das substituições dos adereços, enfim uma estilista de inegável talento e além de tudo de uma sensibilidade ímpar para transmitir uma grande sofisticação dando a ideia de uma aparente simplicidade. 

O cenário de Baba Vacaro e a iluminação de Russinho completam o eficiente quadro da estrutura do evento. Os solistas são vozes novas,umas já fazendo carreira e outras começando suas trajetórias. La Princesse Clarisse de Luisa Francesconi foi sem dúvida um ponto alto nas vozes femininas,já conhecemos seu alto profissionalismo.

 A Fata Morgana de Gabriela Rossi foi um sucesso,excelente mesmo no papel. As laranjas Linette de Carolina Faria, Nicolette de Carla Odorizzi e Ninette de Lina Mendes cantaram muito bem. La Cuisinière de Pepes do Valle valeram a ovação. Agora quem ganhou a cena de uma maneira majestosa foi sem dúvida Luciana Costa e Silva com uma Sméraldine forte, profunda, com um timbre belíssimo, uma figura em cena invejável, fruto de seu aprendizado com a grande professora e soprano Eliane Sampaio, que tanto triunfou nas temporadas do Rio, sendo inesquecíveis seus recitais com o pianista Jacques Klein.

A ópera foi um evento festivo, todos estavam energeticamente positivos, com o dever finalizado. O BRAVO da coluna a todos os integrantes e fica a sugestão de ter sido pouco, necessitando de pelo menos mais duas récitas. O Rio precisa de mais espetáculos como O Amor das Três Laranjas, trazendo novidades ao público carioca que sempre precisa de novidades, e o conhecimento de um repertório pouco apresentado nos nossos teatros de ópera. A coluna espera que a realização desta ópera,estimule novos ares na temporada carioca deste gênero tão popular entre nosso público.