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A natureza mais profunda

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Goethe sempre perseverava no que houvesse começado, mesmo que o empreendimento se revelasse difícil. No Fausto trabalhou por quase quatro décadas. Na origem uma peça que satiriza faculdades e professores, com o passar do tempo veio a ser aquele livro que se consulta para encontrar palavras consoladoras e poderosas.

Quando algo chama sua atenção, fica na sua alma e na sua cabeça, até que lhe possa dar forma e conteúdo. Idealista que tem a humanidade em alta estima, fez Goethe vivenciar a Revolução Francesa como algo hostil - que, segundo suas próprias palavras, o corroeu como se fosse uma doença, e por pouco não lhe custou o seu talento. 

Quanto maior, mais amplo um espírito, mais distante para Goethe a arrogância, sempre produto da limitação. Apesar de toda falta de política, sentimentos de simpatia e gentileza caracterizavam a natureza mais profunda do gênio. O homem maduro teoricamente insiste que a arte ofereça o que é sadio e afirmativo em face da vida.

Era um defensor da liberdade e do vigor na arte, movimento por excelência em direção à vastidão do mundo. “Literatura nacional já não quer dizer muita coisa; é chegada a hora da literatura mundial, e cada qual precisa contribuir para acelerara o advento dessa época.”, sustentou Goethe. Ao criar a Weltliteratur, antecipou muita coisa.

Crescente participação em questões utópicas e tecnológicas diz do olhar sonhador, ousado do Goethe maduro. Não é mera soma e totalidade das atividades culturais humanas consolidadas por escrito, é antes aquela nobre seleção, à qual a sua obra já pertencia havia muito tempo, percebida e reconhecida como patrimônio da humanidade.

* Engenheiro