Respeitem as leis da hidráulica

Quando no meu serviço naval, especializei-me em artilharia e armamento naval, razão de ser do navio de guerra. No curso duríssimo de especialização, nos foi ensinado, entre outras matérias, cálculo de probabilidades, mecanismos básicos utilizados em computadores e hidráulica. Esta última, por causa de sua ampla utilização no sistemas de elevação dos canhões de seis polegadas, existentes nos cruzadores “Barroso” e “Tamandaré”. No meu aprendizado, “in loco”, com a polícia de tráfego holandesa, a obediência às leis da hidráulica era evidente, face a semelhança entre os escoamentos do tráfego e dos líquidos. Ambos são incompressíveis. Os primeiros de fato e o segundo, só com enormes prejuízos.

Ao terminar a minha comissão de dois anos no admirável grande paisinho, que é a Holanda, segundo as normas vigentes na Marinha, quem vem de ganhar em “ouro’ deve curtir o “couro”, fui mandado para ser o Capitão dos Portos da Paraíba, a “pequenina e heroica”, quando tive a oportunidade de aprendizado político e de direito, graças aos contatos e reuniões informais, com os seus senadores e os professores de direito de sua faculdade. Ali, no silêncio de minha residência, pude me aprimorar no meu então “hobby”, a ciência do trânsito urbano, sem, nem de longe, pensar em exercê-la no meu país. Foi neste período que pude estudar os livros que me haviam recomendado os mestres holandeses e, dentre eles, destaco os do estudo do fluxo de tráfego, creio eu, jamais ensinado aqui no nosso Pindorama. Pelo menos, quando tive o privilégio de lecionar trânsito aos quinto anistas de engenharia, na área de transporte, nada havia sobre esse assunto.

Destaco os livros “Theory of traffic flow”, fruto de um seminário do Laboratório de Pesquisas da  General Motors, e o livro “Vehicular traffic science”, resultado das conclusões do Terceiro Simpósio Internacional de Teoria do Fluxo de Tráfego, realizado em junho de 1965, em New York.

Neste último, só para que saibam da importância do conhecimento desta obra, o título de seu prefácio escrito pelo professor W. Leutzbach, da Universidade Técnica de Kkarlsruhe, Alemanha, é o seguinte: “Testando a aplicabilidade da teoria de continuidade do fluxo no tráfego nos “gargalos”.

Aps que se interessarem, estou à disposição para, juntos, estudarmos os diversos aspectos destes dois importantes livros, embora com quase meio século de idade.

Praticamente, para que caiba num artigo, a lição principal é de que não se deve misturar o escoamento de veículos de tamanhos diferentes, ou seja, o tráfego dos veículos pesados (ônibus e caminhões) com o leve de autos. Tudo isto que me fez escrever sobre este tema, por demais especializado e complexo, se deve, ainda, ao que ocorre no desvio do “Traffic Flow” (fluxo de tráfego) da Avenida Rio Branco para a Graça Aranha, e  desprezada Avenida Antônio Carlos.

Não é necessário, mas seria de bom alvitre, sugerir pôr placa aos motoristas de automóveis que, seguissem pela  Avenida  Antônio Carlos, de preferência, fugindo da congestionada Avenida Graça Aranha, sobrecarregada com paradas de ônibus, e evitando o seu escoamento tumultuado por conter fluxos constituídos de “viscosidade” diferentes, ou seja “moléculas” diferentes. Esta providência favoreceria os acessos à Zona Sul, área da Lapa, Glória e Catete e, principalmente o Túnel Rebouças.

Este artigo é uma modesta contribuição aos atuais responsáveis pela mobilidade urbana que, se bem compreendida, não é ficção científica mas, de conhecimento e bom senso.