Como se explica?

Evangelhos não pretendem ser documentários objetivos e desinteressados da existência humana. São escritos plasmados pela experiência da fé nas comunidades que neles deixaram a sua marca. Lembranças, experiências, impressões, ainda vivas entre nós, das palavras, feitos, sofrimentos de Jesus.

Realidade última que se abre a quem se lhe entrega em fé confiante, cujas consequências podem ser historicamente constatadas nos diversos tempos, povos e culturas. Jesus preferia apresentar suas ideias com naturalidade. Se necessário, argumentava com energia, sempre expressivo, concreto.

A mensagem de Jesus, desde o início, é uma mensagem alegre, jubilosa sobre a bondade de Deus, como graça para todos. Mensagem libertadora para os pobres, cansados e oprimidos pela culpa. Era revolucionária, na medida em que propunha a mudança radical de determinado estado de coisas.

Jesus ergueu a voz contra abusos sociais, contra a distorção do direito, contra a dureza do coração. Não polemiza nem agita contra as tropas romanas de ocupação. Nada de expectativas políticas, nada de aproveitar a sua popularidade visando a uma política de coalizão com determinados grupos.

Jesus não mostrava interesse em satisfazer a curiosidade humana com indicações de tempo e lugar do Reino de Deus. Como se explica que a mensagem de Jesus se tenha conservado tão viva até hoje?

Porque ela preservou e guardou o sentido, a exigir com insistência uma nova maneira de pensar e agir. 

* Engenheiro