No dia 19, foi aberta ao público a linha 4 do metrô, ou seja, até que enfim a Barra e o Recreio, este graças à integração com o BRT, ganharam um meio de transporte de massa que, realmente, permite-nos defenestrar o carro de passeio, deixando-o apenas para o fim que o seu nome indica. O noticiário da grande mídia anunciou uma redução de tráfego de carros em 35%. A Barra, já cansei de comentar, desenvolveu-se sem sofrer a influência do transporte de massa, como seu indutor natural. Cresceu baseada no transporte individual, sendo raras as residências que não possuam , ao menos, dois carros na sua garagem. Foi preciso que o Rio tivesse o melhor “prefeito” que já teve, ou seja, os Jogos Olímpicos, para que, com o auxilio do governo federal, tivesse meios para construir esta linha nova, tão necessária. Foi também graças ao auxílio de verbas do governo federal, que as suas primeiras linhas foram inauguradas. Nenhuma novidade, na década de 60, a Alemanha, construiu os seus UBahnen em todas as cidades que dele necessitassem, com verba federal.
Mas voltando ao “rumo base”, estreei o metrô para minha volta para casa. Na estação da Praça General Osório, sem subir à superfície, efetuei a transferência através magníficos espaços, limpíssimos, bem sinalizados e decorados com gosto, à espera do comércio que, fatalmente irá ocupar os locais para tal destinados.Viagem magnífica, parando nas quatro estações intermediárias, até atingirmos o nosso destino final, o Jardim Oceânico. Os que para ali não iam tiveram magnificamente orientados, por impecável sinalização, a sua opção de continuar a viagem no BRT.
Ao saltar, eu, que resido junto à Praça do Ó, tinha à minha disposição vários táxis. Optei por ir a pé, aproveitando a temperatura amena. Constatei que, pelo menos para um ancião de 90 anos, vestido de terno e gravata, foi demais, cansei. Na próxima semana, pegarei carona no carro de minha esposa para pegar o metrô na ida para o Centro. Na volta usarei o táxi, embora constrangido, face à relativamente curta distância da “corrida”da estação final até a minha casa. Estarei, além de economizar tempo, economizando dinheiro, deixando de pagar R$ 110 para ir e vir de táxi, semanalmente, até a Praça General Osório.
Aproveitando o privilégio de escrever como colaborador mais antigo no JB, desde aquela tarde no longínquo 1968, quando fui levado por Gilberto Chateaubriand e Carlos Medeiros Filho,que me apadrinhavam, à presença do dr. Nascimento Brito, então presidente do JB, ali, na velha redação da Avenida Rio Branco, vou deixar aqui mais uma colaboração com a administração do trânsito e transporte do Rio.
Criem, junto da estação do Jardim Oceânico, um ponto de parada para vans, tipo “jardineiras”, abertas como os bondes de Santa Teresa, já sugeridas para toda a Barra faz tempo, por Jaime Lerner, a fim cobrir, complementando o trajeto do metrô, todo o Jardim Oceânico, a um preço simbólico, apenas para pagar o combustível. Além desta medida, a colocação de um bicicletário ali junto auxiliaria, para as distâncias curtas, como é o meu caso. Que tal?
No mais, é só deixar registrada a satisfação de poder elogiar um serviço público que, infelizmente, só passou a ser encarado com a seriedade que merece no Governo de Fusão, do saudoso governador Faria Lima.