Cidade rica, mas povo pobre

A pouco menos de um mês da Olimpíada, a sensação é de que nunca tivemos tantos problemas. Além da crise nacional, no Rio de Janeiro a situação há muito tempo não era tão caótica, principalmente nas áreas da saúde, educação e segurança. Para o povo, que assim como na copa, mais uma vez ficará de fora da festa, o sentimento é de indignação diante do grande investimento numa competição que irá durar pouco mais de 20 dias.

O argumento de que um evento desses traz benefícios para a Cidade, o chamado legado, parece não ser suficiente. Por mais que tenha um pouco de verdade nisso, sabemos que não será bem assim. Quando tudo acabar e já não estivermos sob os holofotes do mundo, o abandono será eminente e mesmo as melhorias feitas em alguns pontos da cidade não sobreviverão ao descaso e a falta de fiscalização na conservação.

Os quase R$ 40 bilhões de investimentos para a realização da Rio 2016 passa uma falsa imagem que contrasta com a falta de aporte em setores básicos para o cidadão. Uma Cidade que se apresentará rica, mas que tem um povo pobre.

Por mais que digam se tratar de coisas diferentes e que nem todo o dinheiro venha do Poder Público, o fato é que para quem está na fila dos hospitais sem infraestrutura, fica difícil compreender a desproporção de empenho das autoridades. O sentimento é o mesmo de quem tem filhos fora da sala de aula por conta de greve de professores ou escolas sem limpeza básica e segurança.

E pior ainda é a sensação de insegurança que todos vivem, com recorrentes episódios de violência em vários pontos da cidade. Assaltos, tiroteios e balas perdidas estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano.

Sediamos recentemente uma Copa do Mundo e nada mudou para melhor, pelo contrário, o cenário só se agravou. Agora, a expectativa fomentada por muitos é que os Jogos deixarão legado, mas isso também não irá acontecer, porque na realidade os governos não só estão endividados como continuam não investindo em educação, único caminho capaz de mudanças efetivas no futuro.

Se as autoridades pensassem em deixar qualquer legado para a Cidade e para o povo investiriam certo. A formação na educação de base é a única herança que pode significar real valor para uma sociedade que almeja gestões mais sérias, com representantes mais qualificados, menos corruptos e empenhados em promover o bem coletivo.

*Advogado Criminalista